segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ciência Simples

Diversão que dá uma fome...

TÁ CHOVENDO HAMBURGUER
(Cloudy with a Chance of Meatballs; EUA, 2009)
Dir.: Phil Lord e Chris Miller
Com as vozes de Bill Hader, Anna Faris, James Caan, Andy Samberg
1h30 min - Animação/Comédia - Livre


A nova onda de animações nos deixou muito mal acostumados. Muito. Você entra num filme desses e já espera piadas politicamente incorretas, trocadilhos infames e até sátiras pesadas em clássicos cinematográficos. Não me entenda errado. Adoramos isso. Mas nos esquecemos do humor mais clássico. Aquele humor físico, presente nos clássicos da Disney, que rendeu tanta bilheteria no passado.

Flint Lockwood é um inventor fracassado. Suas experiências desastrosas já não atraem mais a atenção de sua cidade, que depende excusivamente da pesca e consumo do consumo de sardinhas. Até que Flint cria uma máquina, capaz de converter água em comida. E literalmente, faz chover hambúrguer e todo o tipo de alimento que o atrapalhado cinetista digita em seu computador. O problema é quando o prefeito da cidade resolve transformar o fenômeno metereológico em atração turística e a máquina começa a apresentar problemas.

"É a dancinha do robô!"

Como você deve ter percebido, pelo parágrafo de introdução, o filme não apresenta as piadas que um filme de animação recente costuma a trazer. E essa falta de um humor ácido pode deixar o filme um tanto sem graça para muita gente. Os pais deverão curtir mais pelas risadas de seus filhos e talvez até pelo clima "anos 80", que o filme presta homenagem em pequenos detalhes espalhados pelo longa (quem aí não sabe o que é um "genius", por exemplo). É um legítimo filme infantil, com muita comédia física. Há no entanto, duas mensagens para o público-alvo. Sutis, eficientes e sem precisar desviar da história para que todos no filme entendam. Pais, não se preocupem: O filme deixa claro de que o cionsumo desenfreado de fast-food é ruim. Mas eu "truco" o leitor não sentirem aquela vontade de comer uma "besteirinha" após a sessão.

Nota: 6,0

Trailer

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O Fruto da Paciência

A Guerra, segundo Tarantino

BASTARDOS INGLÓRIOS
(Inglorious Basterds; EUA/ALE, 2009)
Dir.: Quentin Tarantino
Com Brad Pitt, Christopher Waltz, Mélanie Laurent, Diane Kruger
2h33 min - Ação - 18 Anos


Tarantino é um devoto do cinema. Você pode não concordar com as altas doses visuais de violência, ou com os diálogos extensos e nem sempre politicamente corretos. Você pode até taxa-lo de insano se quiser. Mas tem de reconhecer a qualidade de produção e o emprego do bom perfeccionismo nos seus filmes e roteiros. E este "Bastardos Inglórios", não é nem de longe, exceção.

Um grupo de judeus americanos se juntam e se tornam os "bastardos". Esse pelotão se dedica a emboscar, capturar e torturar soldados nazistas durante à segunda guerra, sempre deixando um vivo, para que este espalhe a notícia de que nenhum soldado alemão está a salvo. A grande chance de pegar integrantes do alto escalão do Terceiro Reich acontece quando o pelotão é notificado da estréia de um filme nazista em um pequeno cinema de Paris.

"E aí? O que achou desse leitor?"

Aviso: Não espere um filme de combates, como um filme de guerra comum. É um filme de Quentin Tarantino. Haverá muitos diálogos, tiroteios e violência descarada. Na sua sétima incursão em longas-metragens, o diretor entrega um audacioso roteiro (com sua marca impressa em cada frame dos 153 minutos de duração), envolto em violência, referências cinematográficas riquíssimas (que vão dos westerns spaghettis de Sergio Leone à Cinderela), diálogos brilhantes e até um final inusitado para a segunda guerra mundial. Começa com um sufocante prólogo e aos poucos, o diretor apresenta sem pressa cada um dos personagens cruciais para o desenvolvimento da trama. Destaque para as atuações de Brad Pitt (seu personagem Aldo Raine é um dos mais engraçados já escritos pelo diretor) e principalmente Christopher Waltz, como o cruel e persuasivo Coronel Hans Landa (interpretação que lhe valeu prêmio em Cannes). Mantenho o aviso: Não é um filme de guerra comum. "Bastardos Inglórios" é um filme engraçado, insano e inegavelmente brilhante.

Nota: 10

Trailer:

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Sucesso reciclável

O mesmo filme. Outros atores.

A VERDADE NUA E CRUA
(The Ugly Truth; EUA, 2009)
Dir.: Robert Luketic
Com Katherine Heigl, Gerard Butler, Bree Turner, Eric Winter
1h36 min - Comédia Romantica - 14 anos


A história você já conhece. Menina conhece menino e não o suporta. Mas menino tem uma vantagem interessante e a menina acaba se rendendo e aproveitando. Menino se apaixona por menina por tras da fachada machista. Eles brigam e no final, menino tem de superar seus bloqueios sociais para conquistar a menina em uma declaração de amor que arrancará suspiros da platéia apaixonada. No papel da menina, a namoradinha da américa. No papel do menino, um astro em ascenção. Sim, você conhece esta fórmula e provavelmete já viu este filme. O desafio de cada comédia romântica é variar no desenvolvimento da história para cativar a platéia com frases e momentos memoráveis para fugir o máximo possível do lugar-comum.

A "menina", neste caso é Abby Richter (Katherine Heigl), figurona da produção de um telejornal matinal que tem uma enorme dificuldade de encontrar seu príncipe encantado. O "menino", é Mike Chadway (Gerard Butler), um apresentador de um programa que mostra às mulheres "a verdade nua e crua" sobre como os homens pensam e vê as mulheres. Mike é contratado pelo chefe de Abby para tentar salvar os índices de audiência do programa e após um começo turbulento entre os dois, Mike tentará ajudar a estabanada Abby a conquistar o vizinho.

"É dois pra lá e dois pra cá..."

É um filme agradável para a vista e com atuações divertidas do casal protagonista. Um passatempo divertido e descontraído para quem quer investir o ingresso. Se você é fã de carteirinha das comédias românticas e dos filmes descompromissados com as "namoradinhas da américa", então este filme será um prato cheio. A química do casal é boa (mesmo achando que Gerard Butler não é um cara para comédias românticas) e a história é enxuta e bem montada. Mas preciso avisar que infelizmente, muitos dos bons momentos do filme estão no trailer e isso não ajuda muito no fator surpresa. As risadas originais já foram dadas uma vez e a sensação no final das contas pode ser de que você poderia ter se divertido mais. Nada que um bom jantar em seguida não complete o programa.

Nota: 6,5

Trailer:

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Excelência Emocional

A homenagem da Pixar, à vida.

UP - ALTAS AVENTURAS
(Up; EUA, 2009)
Dir.: Pete Docter
Com as vozes de Edward Asner, Christopher Plummer, Jordan Nagai, Delroy Lindo
1h36 min - Animação/Comédia - Livre



Quem nunca ouviu falar na Pixar? Sinônimo de qualidade e diversão garantida, o estudio de animação, vem priorizando histórias sobre a comédia. Não que a comédia, que fez bonecos ganharem vida, carros falantes e peixes perdidos se encontrarem enfraqueceu. Mas a sensibilidade do contador de histórias aflora a cada vez mais nos filmes. Sai o sarcasmo "adulto", e entra a honestidade do sentimento.

Carl Fredericksen (De longe, um dos melhores personagens do curriculo da Pixar) é um senhor que após a dura perda de sua mulher, decide cumprir um antigo desejo de sua amada: Visitar as cachoeiras da America do Sul. Para isso, mune sua casa com milhares de balões e resolve chegar ao seu destino sentado em sua sala de estar. Junto dele, Russell, um escoteiro falastrão que estava na varanda de sua casa por acidente.

"Não se tem uma vista dessas la onde eu morava..."

Não vou entrar no mérito da qualidade tecnica da animação. Vou me ater a história. São filmes como este, que provam a distância exageirada que a Pixar tem frente à concorrência. O filme é um oasis para os olhos. A Pixar mergulha nos personagens caricatos, capricha no humor e entrega uma história singela, forte e brilhante. Não é o filme bonitinho que seus filhos assistem. Os primeiros 20 minutos são uma verdadeira surra no espectador, contemplando a bela vida que o personagem central teve e o fardo de carregar a saudade e a solidão. E para alimentar a força de vontade que motiva Carl, três coadjuvantes, responsáveis pela verdadeira diversão: Russell é o contraponto perfeito para toda a mesquinharia que o protagonista oferece. Kevin, é a encarnação do humor físico. E Doug. O cachorro falante, que faz as vezes da criançada e completa a trupe da mais bela homenagem à terceira idade que um filme pode oferecer. O vilão e seus motivos podem passar de forma meio fraca e desastrada, se contraposto com o desenvolvimento da trama. Não diminui os méritos deste filmaço que a Pixar, novamente, faz com o coração para seus fiéis espectadores.

Nota: 9,5

Trailer: