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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Tudo a perder

Fazendo justiça com lábia e patrocinadores.

FROST/NIXON
(EUA; 2008)
Dir.: Ron Howard
Com Frank Langella, Michael Sheen, Sam Rockwell, Kevin Bacon
2h02 min - Drama


Ron Howard pode ser um diretor que não divide da mesma fama de um Spielberg ou pertencente à mesma classe de um Coppola. Mas Ron Howard andou fazendo excelentes filmes. Seu verdadeiro talento no entanto, aparece quando lida com uma história verídica. Ganhou o Oscar por "Uma Mente Brilhante", colocou Tom Hanks no espaço em "Apollo 13" e agora relata o embate televisivo entre o ex-presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon e o apresentador-galã inglês David Frost. 

O que foi planejado como um mero bate-papo, se torna na esperança de uma nação para ouvir um pedido de desculpas engasgado de um presidente recém-deposto. Se de um lado, Nixon está desfrutando suas férias forçadas, do outro, Frost busca patrocinadores, emissoras e aliados para fazer as entrevistas acontecerem. E o iminente confronto entre Davi e Golias está cada vez mais próximo, forçando a celebridade a deixar de lado as festas e se concentrar na enorme responsabilidade que arrumou.

"Puxe meu dedo..."

Durante as duas horas de duração, o diretor Ron Howard utiliza-se de seu talento para construir um embate belo e tenso, quase como uma luta de boxe, onde qualquer lado pode vencer a qualquer hora e por qualquer meio necessário. Seu cuidado com toda a preparação e expectativa para o embate funciona e o público passa a conhecer os prós e contras para a hora da verdade. Sim, todos terão cartas na manga e todos estão propensos a cair, caso não estejam preparados. O maior pecado, no entanto, é a interpretação memorável de Frank Langella como o ex-presidente norte-americano Richard Nixon (merecidamente indicado ao Oscar) engolir todos os outros personagens. Ainda que seja a intenção do filme, Langella traz seu monstro para frente das câmeras e entrega uma persona ao mesmo tempo carismática e impiedosa. Nixon mostra-se superior ao longo de quase todo o filme, intensificando o sentimento de Davi do lado de David Frost. E assim como o público americano devia se sentir na época, é impossível não torcer pela queda do monstro frente ao pequeno apresentador de auditório. 

Nota: 8,0

Trailer:


5 Indicações ao Oscar:
-Filme
-Diretor
-Ator (Frank Langella)
-Roteiro Adaptado
-Edição

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A Essência da Vida

A vida curiosa de um homem que rejuvenescia.

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON
(The Curious Case of Benjamin Button; EUA, 2008)
Dir.: David Fincher
Com Brad Pitt, Cate Blanchett, Julia Ormond, Taraji P. Henson
2h46 min - Drama - 12 Anos


Filmes biogáficos seguem duas vertentes: As biografias reais, geralmente feitas em cima de uma personalidade com um passado obscuro/polêmico/desconhecido. Você pode até não gostar do filme, mas acaba criando um certo respeito pela trajetória da mesma. E há as biografias fictícias, aquelas em que é preciso muito mais para conquistar a atenção do espectador. Precisa-se de algo tremendamente original. Ou o filme pode acabar no fundo das listas de fim de ano. Mas as histórias que conseguem ser originais, ah... Estas costumam acertar em cheio no gosto do público.

E a biografia fictícia da vez, é a história de Benjamin: Um bebê abandonado em um asilo no dia em que a primeira guerra terminou. Apresentava sintomas de um idoso à beira da morte, para gradativamente rejuvenescer, ao contrário de todos ao seu redor, que envelhecem normalmente. Lá, conhece Daisy, uma jovem que passava alguns dias no asilo com sua avó e que se encanta com Benjamin. Com o passar dos anos, o espírito aventureiro o leva ao redor do mundo e vivenciar experiências únicas. Até que seu caminho cruze novamente com o de sua amada.

"Mais uns 10 anos e acho que já rola umas mulheres..."

Tudo no filme é meticulosamente calculado. Tudo mesmo. O perfeccionismo é levado a um novo nível, desde a maquiagem (soberba), aos efeitos especiais e sobretudo os maneirismos e as magníficas interpretações de Brad Pitt e (em especial) de Cate Blanchett. O ritimo do filme é lento, para que possamos entender a moldagem da personalidade de Benjamin. As semelhanças com a trajetória de Forrest Gump (a saber: escrito pelo mesmo roteirista) pularão de imediato na tela, porque os coadjuvantes não aparecem gratuitamente. Todos eles influenciarão a vida do protagonista e mais cedo ou mais tarde refletirá em decisões pesarosas. O humor refinado do filme mercecia quase um novo tópico. E apesar das quase três horas de duração, a inusitante biografia de uma vida ao contrário se torna um programa obrigatório pela leveza de um filme que surpreende, emociona e cativa um público quase carente de histórias assim. E a pergunta que me assombrará por todo o ano de 2009: Qual filme fará frente ao Curioso Caso de Benjamin Button?

Nota: 10

Trailer:

Atualização:

13 Indicações ao Oscar:
-Filme
-Diretor
-Ator (Brad Pitt)
-Atriz Coadjuvante (Taraji P. Henson)
-Roteiro Adaptado
-Edição
-Fotografia
-Maquiagem
-Direção de Arte
-Figurino
-Trilha Sonora
-Efeitos Visuais
-Som