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domingo, 23 de novembro de 2014

Mordida Caprichada

Prepare o seu apetite.

Chef
(EUA, 2014)
Dir.: Jon Favreau
Com Jon Favreau, Sofia Vergara, John Leguizamo, Oliver Platt
1h49 min - Comédia - EM DVD e BLURAY


Se você não sabe ao certo quem é Jon Favreau, pode ficar tranquilo, pois você já o viu antes. 

Jon Favreau é um diretor/ator dos bons, que já fez muita coisa que você já viu. Participou de alguns episódios de Friends, dirigiu os dois primeiros filmes do Homem de Ferro, foi o coadjuvante engraçado em algumas comedias românticas e interpretou um punhado de outros bons personagens no cinema. 

E agora, escreveu, dirigiu e atuou em "Chef", onde interpreta Carl Casper, um renomado cozinheiro que após ser demitido de um restaurante 5 estrelas por conta de uma má critica, decide retornar às origens para fazer o que faz de melhor. 


Se eu tivesse que usar uma metáfora culinária para descrever este filme, falaria para não ter moderação alguma ao apreciar este delicioso filme e dar uma bela mordida. Daquelas desconcertantes, onde ingredientes caem para fora do sanduíche e que deixam a sua mão cheia de molho. 

Não seria um exageiro. Até porque, faria juz ao estilo de comida servida pelo personagem de Carl Casper, na segunda metade do filme, onde ele (re)começa seu negocio em um animado caminhão de comida e sacramenta a qualidade de entretenimento que o filme tem a oferecer. 

Qualidade, também na interpretação de Jon Favreau, que transborda a felicidade de dirigir seu projeto com tamanha paixão - equivalente a de seu personagem pela culinária simples e do coração - que o público consegue captar o sentimento com a mesma facilidade em que se cativa pela história. 

O filme ainda traz uma discussão muito boa sobre o peso que as redes sociais possuem no mercado. Como uma postagem errada ou o vazamento de um vídeo pode influenciar uma carreira (positiva ou negativamente). E como a mesma rede social, quando bem aproveitada, pode ser crucial no crescimento de um negócio e de uma marca. Além do feliz detalhe após cada postagem no Twitter.

Pode até ser que você fique um pouco frustrado com o final apressado, colocado mesmo com a boa evolução do filme em sua segunda metade - que já daria um final muito bom para a história - mas se considerarmos os ingredientes adicionais, como as participações especiais inspiradas de Robert Downey Jr. e Scarlett Johansson, "Chef" desponta como um filme caloroso e acolhedor, como uma refeição sem grandes elaborações. Mas que feito com muito capricho e carinho, é capaz de acalentar a alma e de fazer o público se sentir bem. 

Atacar.



segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Faroeste Family Guy

Mais um para a série de títulos irritantemente mal traduzidos.

Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola
(A Million Ways to Die in The West; EUA, 2014)
Dir.: Seth MacFarlane
Com Seth MacFarlane, Charlize Theron, Giovanni Ribisi, Liam Neeson
1h51min - Comédia - 16 Anos



Quem acompanha o seriado animado "Uma Família da Pesada" (ou Family Guy), com certeza ja ouviu falar de um sujeito chamado Seth MacFarlane.

Além de criador do desenho, ele é roteirista, dublador e ainda acumula outras funções. Ou seja, se você sabe quem é Seth McFarlane, sabe o tipo de humor pelo qual ficou conhecido.

Pois então. O também criador de "Ted", agora fez esse faroeste (cuja tradução me recusarei a comentar, tamanha canastrice) que conta a história de Albert, um fazendeiro de ovelhas, com fama de covarde, que após uma desilusão amorosa, vira presa fácil para Anna, esposa insatisfeita de um bandidão (Liam Neeson que está na região à procura de ouro. 

Oh céus... É o Barney de bigode...
Além do título nacional, este filme tem vários problemas, a começar pelo seu protagonista. MacFarlane pode ser um bom comediante (ainda que o humor seja forçado demais para você) e um bom diretor, mas definitivamente, não tem força para ser um protagonista. Ainda mais, de um faroeste, gênero que anda em baixa há algum tempo. 

Uma ou outra piada pode fazer a sala inteira rir (apesar de muitas delas estarem presentes nos trailers), mas todo o resto do conjunto é simplesmente muito fraco. E isso influencia gente muito boa, como Liam Neeson (que só é um vilão decente por conta da história fraquinha), Charlize Theron (que anda escolhendo papeis meio esquisitos) e até mesmo Neil Patrick Harris (o saudoso Barney da serie How I Met Your Mother).

O filme infelizmente não funciona tão bem como poderia. 

Talvez tivesse melhor sorte, se fosse um episódio de Family Guy. 


segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sandler Básico.

Nada além do que parece. Tudo bem.

Juntos e Misturados
(Blended; EUA, 2014)
Dir.: Frank Coraci
Com Adam Sandler, Drew Barrymore, Kevin Nealon, Terry Crews
1h57 min - comédia - 12 Anos



Quando você pega uma fila na bilheteria e compra um ingresso para ver um filme do Adam Sandler no cinema, à essa altura, você ja sabe o que pretende encontrar. 

Na esmagadora maioria das vezes, são comédias, algumas vezes românticas, com humor besteirol forçado, cenários inusitados, atores renomados fazendo ponta, celebridades em papeis pequenos e com merchandising de algum produto inseridos no contexto. E sempre haverão algumas sacadas que irão se sobressair e comentadas ao final da sessão. 

Mas, continuamos a comprar os ingressos. Porque tudo o que é prometido no material promocional, é cumprido. 

E em "Juntos e Misturados", Sandler reata a parceria com Drew Barrymore quando interpretam duas pessoas, com casamentos que terminaram (ele viúvo, ela divorciada) e que, num cenário pouco previsível, acabam com seus filhos, juntos, numa viagem para a África, onde desfrutarão de um hotel paradisíaco e acabarão se envolvendo romanticamente um com o outro e afetivamente com a família oposta. 

Curtiu o penteado?
Calma. Não dei nenhum grande spoiler. Mas já lhe indiquei uma das boas características do filme: Ele é realmente o que promete no trailer. E o que você deve esperar de um filme legal de Adam Sandler. Se você conseguir passar pelas piadas forçadas, pelos sketches musicais com Terry Crews (conhecido aqui como o "Pai do Chris" da serie "Todo mundo odeia o Chris") e por algumas outras besteirinhas inseridas, "Juntos e Misturados", acaba sendo uma agradável sessão. 

Principalmente, por conta da química inegável entre Sandler e Barrymore. Funciona muito. Eles estão bem a vontade e isso contribui bastante para a "credibilidade" (na medida do possível) da história pessoal de cada personagem e porque uma união entre os dois poderia funcionar. 

Não espere algo romântico na linha de "Como se Fosse a Primeira Vez", mas está longe de ser uma besteirona como "Zohan". É aquele copão de agua com açúcar que acalma e que te faz se sentir bem. 

Poderia ousar um pouco mais no humor e na história, mas preferiu jogar seguro e entregar o que foi prometido.



quarta-feira, 16 de julho de 2014

Comédia Cotidiana

Eles estão rindo de você?

Vizinhos
(Neighbors; EUA, 2014)
Dir.: Nicholas Stoller
Com Seth Rogen, Zac Efron, Rose Byrne, Dave Franco
1h37 min - Comédia - 16 Anos


Tem um pessoal muito bom fazendo comédia em Hollywood. E se não da para comparar com os clássicos do cinema de humor, não tem problema. 

Não tem problema mesmo. Essa nova turma faz um humor mais escrachado. Pegam alguns estereótipos do cotidiano, em situações mundanas e arriscam um humor um tanto além do limite. Não chega a ser um pastelão, mas também não podemos chamar de humor refinado.

E quando eles não estão rindo deles mesmos, provavelmente estão rindo de você.

"Vizinhos" conta a história de Mac e Kelly, casal que teve um bebê recentemente e que observa com suspeitas um pessoal se mudar para a vizinhança, até descobrirem que se trata de uma "república". As festas, obviamente, rivalizarão com o clima de paz necessário para criar o bebê e com isso, pai e líder da república entrarão em confronto direto pela palavra final.

Fiquem tranquilos. A gente não faz barulho...

O melhor do filme é não tomar partido de nenhum dos lados. Talvez pelo fato de estabelecer os protagonistas não como "rivais", mas como pessoas muito parecidas com objetivos diferentes. Eles se identificam e por isso temem um ao outro. Enquanto um é o adolescente festeiro que cresceu e agora tem responsabilidades - mas sente falta do seu passado - o outro tem medo de crescer e ter que assumir as tais responsabilidades. 

Essa batalha entre gerações ganha muita credibilidade por conta do carisma e da química entre os protagonistas Seth Rogen e Zac Efron. Os coadjuvantes estão todos muito engraçados (a festa temática do Robert DeNiro é um espetáculo a parte) e contribuem muito para a atmosfera das duas casas. O pessoal da fraternidade fazem um contraponto muito bom à tranqüilidade aparente da família ao lado. Aparente, porque a esposa é uma maravilhosa incógnita, enfadada pela falta de diversão, mas que não é capaz de deixar a sua filha pequena para trás. 

E diga-se de passagem, é o bebê mais bonitinho que eu vi no cinema. Muito expressiva e com um sorriso cativante, ela é perfeita para que o espectador entenda o espírito familiar dos pais. Eles sentem falta da farra, mas em momento algum se mostram arrependidos da decisão de construir a sua família. Os sorrisos dela arrancam alguns "aaaawwwnnn" em meio a tanta bagunça.

Essa boa safra de filmes dessa turma, da qual "Vizinhos" faz parte, é pontuada por algumas piadas sujas (você pode até achar de mal gosto) e comportamentos que seus pais não aprovariam, mas que resultam em um 97 minutos divertidissimos. 

E você sabe que se divertiu. Porque, alguma coisa daquele cotidiano, lhe pareceu muito familiar. 


 



sexta-feira, 4 de julho de 2014

Mundo Paralelo

Wes Anderson e o seu primor de filme.

O Grande Hotel Budapeste
(The Grand Budapest Hotel; EUA, 2014)
Dir.: Wes Anderson
Com Ralph Fiennes, F. Murray Abraham, Jude Law, Tom Wilkinson
1h40 min - Comédia - 12 Anos


Se o cineasta é o reflexo das influências que compõe seu universo pessoal, então, suspeito que Wes Anderson, o diretor de "O Grande Hotel Budapeste", vive em um universo paralelo fantástico, cartunesco, delicioso, onde tudo pode ser cômico, tudo pode se tornar trágico (e ainda assim carregar ares cômicos) e tudo só não é animação pura, porque, convenhamos, o universo não poderia ser tão distante assim do nosso.

Muito pode se dizer deste talentoso diretor. Ainda que você não aprecie seu relativamente curto portfólio, há de convir que seu estilo único rende um cinema de qualidade.

E qualidade sobra - e muito - nesta nova incursão do diretor na sétima arte.

O filme conta a história de Gustave H. (Ralph Fiennes, numa interpretação inspiradíssima), conciérge do Grande Hotel Budapeste. Extremamente influente com os hóspedes, Gustave é o principal suspeito do assassinato de Madame D., hóspede com quem tinha um caso. Seu fiel escudeiro, Zero, fará o que for possível para ajudar seu mentor a provar a sua inocência e validar seus direitos designados no testamento da vítima.

Posso apenas terminar o meu drink?

O humor sofisticado do filme é apenas um brinde em relação ao verdadeiro deleite aos olhos do espectador, que o diretor Wes Anderson oferece com sua técnica e estilo meticuloso de fazer um "cinema em miniatura". Tudo funciona muito bem, criando uma atmosfera ímpar e um tanto mais ousada em relação aos seus filmes anteriores. Especialmente, por se tratar de um filme que transita por distintas épocas, o que se percebe tanto pela direção de arte (que é um espetáculo a parte), quanto pela troca deliberada do aspecto de exibição.

O alto número de personagens, cada um com sua importância para o desenrolar da trama, carrega diálogos ágeis e brilhantes, como que dosados com cautela para trazer a informação necessária, sem precisar arriscar grandes discursos. Atuações encaixadas dentro de um timing cômico que permeia todo o filme. Dá ritmo. Dá graça. Dá gosto de se ver.

Wes Anderson entrega com maestria uma quase-comédia pastelão disfarçada sob um elegante verniz melancólico de uma tragicomédia. Facilmente um dos melhores filmes desse ano.



segunda-feira, 24 de março de 2014

Folk Caloroso

Os Irmãos Coen, em grande estilo.

Inside Llweyn Davis - Balada de Um Homem Comum
(Inside Llewyn Davis; EUA, 2013)
Dir.: Ethan Coen e Joel Coen
Com Oscar Isaac, Carey Mulligan, John Goodman, Justin Timberlake
1h45min - Comédia - 12 Anos 



Defenda tudo o que ama. E defenda de todos.

Os Irmãos Coen, defendem muito bem. Seus filmes, ainda que diferentes uns dos outros, conseguem ter um estilo forte e característico de seu cinema. Como uma névoa estranha e sarcástica de personagens peculiares caminhando em histórias que, ao mesmo tempo em que beiram o non-sense, parecem se agarrar a uma dura realidade. E aqui, a realidade do protagonista Llewyn Davis não é apenas dura, como tragicômica.

Mas Llewyn Davis defende o que ama - a sua música. É um apaixonado inquieto pelo mundo em que vive. Busca o sucesso e a fama, mas sabe que o caminho para lá será tortuoso. Em meio a apresentações no Gaslight Café e dormir no sofá da casa de amigos, Llewyn enfrentará seus problemas com ironia e com a sua paixão.

Mas seria Llewyn o homem certo na hora errada?

Please, Mr Kennedy
Tudo e todos atiram contra o protagonista que se encontra numa maré de azar. Cada nova sequencia de eventos, parece bater na cara de Llewyn (em alguns casos, literalmente), interpretado brilhantemente por Oscar Isaac, que segue em frente, em busca de uma nova alternativa. É como se ele estivesse passivo e acomodado com a sua situação atual, mas com a certeza de que um dia a coisa irá engrenar.

A construção e evolução do filme é uma caminhada prazerosa, sem qualquer necessidade de resolução imediata. Os coadjuvantes são inseridos cirurgicamente em cada cena com diálogos precisos e na medida certa para o andamento do filme.

E assim segue a "balada" de Llweyn Davis. Pouco menos de duas deliciosas horas sobre a busca de um antiherói por algo além de 15 minutos de fama. A exposição de minuciosidades do homem comum, buscando uma jornada extraordinária se encaixa perfeitamente na filmografia dos Irmãos Coen, fazendo boa companhia a bons filmes realizados anteriormente por eles.

Tudo muito bem defendido. De tudo e de todos.



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Linha de Montagem

Nada em 2014, será tão divertido.

Uma Aventura Lego
(The Lego Movie; EUA, 2014)
Dir.: Phil Lord, Christopher Miller
Com as Vozes de Chris Pratt, Elizabeth Banks, Will Arnett, Morgan Freeman
1h40min - Aventura - Livre




Confesso que sou muito suspeito para falar desse filme. Sou aficcionado por Legos desde pequeno. E sou chato também. Manual de instruções, peças na mesa e, pacientemente, peça a peça, até o produto final montado. Ai sim, posso destruir e construir novas coisas. 

Mas o melhor do Lego, sempre foi a reutilização das peças para novas historias. Recriar. Inovar. E esse é o maior mérito do filme... De Lego. Utiliza a dinâmica do próprio brinquedo para transportar o espectador para diferentes lugares, conforme a aventura pede. 

E a aventura começa com Emmet. Um cara legal, que faz tudo através de um "manual de instruções" para começar o seu dia e seguir para o trabalho de construtor. Um dia se depara com uma estranha peça, caçada por um grupo de rebeldes que lutam contra o Senhor Negócios, homem poderoso que planeja colar todo o universo Lego, para que tudo fique como está. 

Mais Café!
Apesar do apelo infantil que a história, as cores e o próprio brinquedo possui, é preciso dizer que este filme não é somente para crianças. E poderia muito bem ser. Aliás, o filme poderia descambar para um grande comercial de duas horas, mais as favas de dinheiro gasta com os pequenos na loja de brinquedos mais próxima, após a sessão. O filme esta cheio de piadas para os pais e referências adultas. "Tempos Modernos", "1984", maquinas de votações e por aí vai... Mas calma. A criançada certamente vai se divertir com as sequências de ação e com as piadas de humor físico, mas o filme brilha quando fala com o público cativo de construtores de lego, sentados do lado de fora da tela. 

O que fica explícito no terceiro ato da história. Se esforçando ao máximo para não entregar nenhum spoiler, o filme toma um rumo ousado para transmitir uma mensagem poderosa aos espectadores, em especial aos pais, que se divertiram a beça até então. 

É como a experiência do próprio brinquedo. Você segue o manual de instruções e constrói o que comprou. E num segundo momento, arrisca e transforma tudo em algo ainda melhor. Basta ter a criatividade e a mente aberta. 




segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O Lobo Enlouquecido

Scorcese exagerou um pouco.

O LOBO DE WALL STREET
(The Wolf of Wall Street; EUA 2013)
Dir.: Martin Scorcese
Com Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Kyle Chandler, Margot Robbie
3h00min - 18 Anos



Martin Scorcese é um mestre da sétima arte. E um mestre em retratar os vícios do homem na tela grande.

Dito isso, as três horas de "O Lobo de Wall Street", pode ser de grande alívio, quando se percebe que Scorcese, com esse filme, volta para o seu cinema "clássico". Suas histórias costumam a mostrar um mundo onde o homem não tem limites, onde a cobiça dita o caminho a seguir e que nada será obstáculo para o Nirvana. Seja ele como for.

Vimos isso em Cassino. E principalmente em "Os Bons Companheiros". Uma ascensão gradual, por parte de um protagonista ávido, altamente cativante e inteligente e os seus meandros para chegar em seu objetivo. E depois de determinado tempo, a rotina do objetivo alcançado, querer sempre mais, torna-se a ruína, e a consequente queda. É uma receita conhecida, que em boas mãos, tornam-se bons filmes.

Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio, na melhor atuação de sua carreira) trilha este caminho. Vai de um aspirante a especulador da bolsa de valores a multimilionário, graças à sua lábia e à influência de Mark Hanna (Matthew McCounaghey - numa participação breve e essencial para a trama). Sua vida de altos exageros chama a atenção dos federais, 


"Quem quer dinheiro?"
O filme se diferencia um pouco dos citados anteriormente, por buscar a satirização de uma vida sem limites, ao invés de colocá-la estritamente como meta. É um filme sobre crimes e pecados, mas sob a ótica do exagero, da extrapolação e principalmente, da banalização de tudo isso. 

O personagem de Jonah Hill é o perfeito exemplo: Seu Donnie Azeroff acaba por fazer as vezes do oposto ao protagonista. O homem que tem sonhos, aspira a coisas maiores, mas sem o conhecimento dos meios. Como reagir frente a um pagamento mensal de 72 mil dolares? Ao acesso ilimitado a drogas, mulheres e às mais diversas regalias? Ele seguirá Jordan até o fim. E eventualmente premiado por isso.

Mais adiante, o filme acaba por cair na repetição dos temas. A primeira metade do filme vem forte e prende o espectador com as possibilidades que Jordan cria para si (a cena com os especuladores de ações menores (pennystocks) é fantástica e mostra o que o peixe grande consegue fazer num lago pequeno. E de lá, o consequente e iminente vôo a maiores objetivos e conquistas. No entanto, a segunda metade - que fala sobre a queda e onde Scorcese costuma a exercer a sua maestria - fica repetitiva e até um tanto previsível (mesmo que você, como eu, não tenha prévio conhecimento da história de Jordan Belfort). 

Daqui a alguns anos, "Lobo" deverá ser relacionado numa breve seleção de filmes de Scorcese, pela capacidade que o diretor tem de infiltrar humor ácido em situações tensas. É uma incursão válida. Pode não ser o melhor, mas, vez ou outra, um mestre como ele tem o direito de exagerar na dose.



terça-feira, 22 de junho de 2010

O exageiro, do exageiro.

O GOLPISTA DO ANO
(I Love You, Phillip Morris; EUA, 2009)
Dir.:Glenn Ficarra e John Requa
Com Jim Carrey, Ewan McGregor, Rodrigo Santoro, Elizabeth Banks
1h42 min - Comédia - 16 Anos



Jerry Seinfeld inspirou muitos dos comediantes stand-up que hoje fazem sucesso.

Sua fórmula era simples. Pegava simples fatos do dia a dia e transformava em espetáculo. Como todos procuram fazer hoje

Mas ele fazia isso com discrição e uma "finesse" digna do sucesso que conquistou.

Em suas nove temporadas, abordou diversos assuntos polêmicos demais para a época em que foi exibida, o que lhe deu o atual status. Lá pela sétima (ou oitava, talvez), abordou homossexualismo em pleno horário nobre da TV americana, quando o assunto ainda não era comentado tão abertamente. Não usou praticamente nenhum termo que deixasse explícito o tema do episódio.

"Não que há nada de errado com isso".

Mas usou de discrição. Muita discrição. Mesmo porque, é fato de que muitos dos temas abordados em episódios, quando não saíam de sua cabeça, era sempre relacionado a algo que observava ou pegava exemplos de seu dia-a-dia.

E a falta de discrição, ou melhor dizendo, o exageiro do exageiro é justamente o maior dos pecados cometidos por este "O Golpista do Ano"

Baseado em fatos reais, conta a história de Steven (Jim Carrey, com um visual bizarro). Um homem de família que depois de um acidente, passa a ver a vida como uma oportunidade única de aproveitá-la. Com isso, larga a família e a comunidade e se muda para Miami, onde arruma um namorado e um novo estilo de vida.

Mas ele precisa sustentá-lo, e para isso, começa a praticar pequenos golpes, que o levam, eventualmente para a cadeia. Lá, conhece Phillip Morris (Ewan McGregor), por quem se apaixona e bola novos planos para sustentar um novo estilo de vida.

"Eu sei, roubada... Abafa que é roubada..."

O filme contém lampejos de sequências engraçadas por conta do protagonista. Mas é muita, mas muita história que, na teoria, teria de ser contada e foi relegada a meras citações que acabam confundindo o espectador.

E aí, segue a velha máxima dos filmes longos em curto espaço de tempo: Personagens secundários perdem em profundidade. Facilmente esquecidos. E pequenas histórias paralelas tomam tempo demais de projeção, desconectando o entretenimento.

Considerando ser uma história real (mesmo com o final bizarro), a culpa fica com a adaptação morna e pouco engraçada.

Nota: 3,5

Trailer:

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A Comédia Alcoolizada

Non-sense entre amigos.

SE BEBER, NÃO CASE
(The Hangover; EUA, 2009)
Dir.: Todd Phillips
Com Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha
1h 40 min - Comédia - 14 Anos


O cinema non-sense está, aos poucos, se encaixando no gosto popular e encontrando um meio-termo entre a comédia pastelão e a inteligente. Usam como base, histórias comuns, personagens bons, piadas afiadas e situações inusitadas. A prova disso são os bons numeros de bilheteria em que filmes do gênero arrecadam nos fins de semana de estréia. De cabeça, penso em "Penetras - Bons de Bico" e "O Virgem de 40 Anos", por exemplo. Apostando sempre em jovens nomes do cinema e comediantes competentes (em geral, saídos de seriados de sucesso). "Se Beber, Não Case", é o mais novo exemplar a se juntar aos exemplos citados acima.

Doug vai se casar. E como despedida de solteiro, decide viajar a Las Vegas com seus dois melhores amigos e o irmão de sua noiva. Depois do brinde, somos transportados para a manhã seguinte: Ninguém lembra de nada do que aconteceu. O noivo sumiu e o quarto está uma bagunça. Entre a falta de um dente, um bebê, passagens pelo hospital e um tigre dentro do quarto, o grupo terá de descobrir o que aconteceu na noite anterior encontrar o noivo e voltar ao casamento a tempo.

"Ele não é o meu filho..."

Um dos méritos do filme é entregar ao espectador exatamente o que ele vende: Não espere um filme cabeça. Carregado de piadas geniais e non-sense a história faz o público se divertir até mesmo com as cenas injetadas no trailer. Você sabe até a piada que virá a seguir, mas quando ela chega, te acerta em cheio, como se não soubesse nada. O elenco semi-desconhecido (a não ser que esteja antenado com series de televisão) faz um belíssimo trabalho e parece se divertir tanto quanto seus personagens em cena. Não posso escrever sobre este filme e não citar Zach Galifianakis (o barbudo da foto acima). Dono das melhores piadas do filme, ele precisa de duas cenas para estabelecer seu domínio e ganhar a simpatia do público (a piada sobre o nome do cassino, pode ser idiota, mas é impossível não rir). Não só rouba o espetáculo, como é uma bomba esperando para explodir a cada vez que aparece em quadro. É a comédia do ano? Em vista dos filmes a serem lançados até o fim do ano, é cedo para se dizer. Mas é comédia de primeira. A não ser que você seja sério demais para isso...

Nota: 9,5

Trailer:

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O Louco e o Ingênuo

O irmão espalhafatoso de Borat

BRÜNO
(EUA, 2009)
Dir.: Larry Charles
Com Sacha Baron Cohen, Gustaf Hammarsten, Clifford Bañagale, Chibundu Orukwowu
1h21 min - Comédia - 18 Anos



Fazer cinema para chocar a platéia não é novidade. Muitos diretores fazem isso todo ano. Chocar a platéia expondo verdades da sociedade, para a sociedade, é a veia central de todo documentário. Em 2006, "Borat" misturou ficção, comédia e documentário em um filme hilário e chocante. Criou grande impacto (positivo e negativo), tomou a crítica mundoial de surpresa e se estabeleceu como ícone (quem aí nunca usou um dos bordões do desajeitado repórter do Cazaquistão?). Para tentar seguir o rítimo, o comediante Sacha Baron Cohen usa a mesma fórmula de sucesso para fazer a "sequencia".

Brüno é um repórter de moda austríaco, homossexual assumido, que adota métodos incomuns para fazer seu jornalismo. Mas após alguns sérios deslizes, é demitido de seu emprego e barrado em todos os grandes eventos de moda da europa. Em sua busca cega pela fama, decide viajar pelo mundo para se destacar novamente e se tornar conhecido mundialmente.

"Você está no Austria Gay TV!"

Se a intenção de Cohen era chocar a platéia, acertou em cheio. Usando e abusando das câmeras escondidas (o que gera marcas astronômicas de processos contra o ator), o filme brilha ao expor até onde a sociedade vai para se tornar famosa. E é isso. O resto, não passa de uma cópia e de uma sequencia aquém do filme do repórter cazaque. Seja pela expectativa que o primeiro filme gerou, ou pela mesma linha de piadas adotadas. Se Borat crescia com os choques culturais e com as pitadas racistas e xenofóbicas, Brüno prima mais pelo o que é visualmente chocante, o que faz o filme se tornar apelativo em certos momentos (a piada com Hitler é boa, mas dentro do contexto do filme, um tanto exageirada, por exemplo). Engraçado, sem dúvida (mesmo considerando que quase todas as grandes cenas foram expostas no trailer). Mas já vimos este filme antes.

Nota 7,0

Trailer (sem legendas):

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Confortáveis Clichês

Fórmula batida com atores competentes

A PROPOSTA
(The Proposal; EUA, 2009)
Dir.: Anne Fletcher
Com Sandra Bullock, Ryan Reynolds, Craig T. Nelson, Mary Steenbugen
1h 48 min - Comédia Romântica - Livre



Ok, não vou entrar em detalhes sobre a competência de Sandra Bullock em termos de comédias românticas. Uma atriz engraçada, com boa presença de cena, sempre amparada por roteiros engraçadinhos e diretores que parecem dar bastante espaço para ela. E não vou entrar em detalhes sobre a competência de Ryan Reynolds de fazer as pessoas rirem no cinema. Fez isso em filme de terror e fez isso em filmes de ação. Cada um, "namoradinhos da américa" (não que este blogueiro se apegue a este termo) em sua determinada época. E agora, juntos no mesmo filme.

O filme conta a história da dominadora chefe Margareth Tate (Bullock em uma espécie de "Diabo Veste Prada", numa versão para as crianças), que para fugir de ser deportada para o Canadá por problemas legais, decide mentir para a imigração, contando que se casará com seu assistente (Ryan Reynolds, em seu papel característico). Para que possam conhecer melhor um ao outro - e para que sejam aprovados na entrevista do consulado - eles passarão um final de semana juntos no Alasca no aniversário da avó do assisstente. Uma balinha refrescante de menta para quem acertar o que acontece...

"Eu falei que daria certo..."

E por mais "manjado" que o desenrolar da história seja, as duas horas de projeção valem o ingresso, justamente pelo que o parágrafo inicial descreve. Os dois atores, cumprem o que prometem, demonstram estar bem a vontade nos papeis e divertir a platéia não parece ser difícil. As piadas competentes seguram a história, porque ao invés de tentar se distanciar de clichês, os abraçam com força. Esperar o final anunciado passa a ser divertido e não penoso. Principalmente com uma senhora tão engraçada como Bety White (a "Vovó Annie"), que rouba a cena. Em tempos de super-heróis, bruxos amaldiçoados e tiroteios, um filme que lhe deixa respirar e curtir um programinha a dois.

Nota 7,5

Trailer:

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Injeção de Ânimo

Maior e melhor. O segredo de uma sequência de sucesso.

UMA NOITE NO MUSEU 2
(Night at The Museum: Battle for the Smithsonian; EUA, 2009)
Dir.: Shaum Levy
Com Ben Stiller, Amy Adams, Hank Azaria, Robin Williams
1h45min - Aventura - 10 anos

Ainda existe algumas pessoas que habitam o mundo das produções cinematográficas, que sabem como fazer filmes para a família. Filmes onde as reviravoltas não incluem um fim de semana em acampamentos, guerras de comida, e tantos outros clichês do gênero. Sem aquela "maluquice saudável" dos primeiros filmes da série "Esqueceram de Mim" e outros habitantes das sessões da tarde, produzidos por John Hughes e Chris Columbus, cheios de clichês, mas nunca apelativos. E anos depois, a simples idéia de um museu vivo, e sua saudável sequência.

Saudável, por trazer personagens interessantes de volta. Saudável, por saber fazer o público rir. Saudável por respeitar a sua história e a história natural. O filme traz o personagem de Ben Stiller, Larry Daley em meio ao sucesso de sua pequena empresa, mas sendo obrigado a voltar às origens de guarda do museu de Nova York, quando descobre que seus amigos estão sendo transportados para Washington. E os que não estão, serão fadados à inanimação eterna (você vai ver no filme). Larry terá de se infiltrar no novo museu e garantir que a ordem será instaurada.

"Não é o seu guarda comum"

O filme é exatamente o que "filmes familiares" devem ser: Divertidos, barulhentos, coloridos e sem qualquer pretensão de ser realista. Ben Stiller comanda (quando não desaparece entre) os coadjuvantes, que ganham excelentes novidades com a entrada de novos personagens do museu de Washington. Um vilão caricato, mas que se encaixa perfeitamente no contexto, se alia a novos vilões da história o que dá espaço a novas gags (a melhor delas no momento onde dois outros querem aderir à causa). Os roteiristas, que se divertiram muito mais do que no original, aproveitam a deixa para soltar piadas para adultos e ganhar a simpatia dos infantos. O original continua com seu charme irretocável e felizmente, respeitado. Mas o recado de que as sequências devem ser maiores e mais divertidas foi entendido com perfeição.

Nota:8,0

Trailer:

segunda-feira, 23 de março de 2009

Os Injustiçados

Kevin Smith volta à sua grande forma

PAGANDO BEM, QUE MAL TEM?
(Zack And Miri, Make a Porno; EUA, 2008)
Dir.: Kevin Smith
Com Seth Rogen, Elizabeth Banks, Craig Robinson, Jason Mewes
1h 41 min - Comédia - 16 Anos


Para começar a crítica deste filme, preciso alertar o leitor de que o responsável pelo título desprezível deste filme não faz jus, de forma alguma, ao que você verá nas quase duas horas de projeção. Não é um filme sobre prostitutas, nem de mercenários bobalhões. Ou na pior das hipoteses, indica a exibição de uma comédia bem fraquinha, o que pode até afastar algumas pessoas que não saibam o calibre dos profissionais envolvidos com a história. 

O filme conta a história do casal de amigos Zack e Miri. E da época em que eles se vêem sem dinheiro para pagar as contas básicas do mês. Depois de um incidente na cafeteria em que trabalham (envolvendo dois adolescentes, um celular e uma calcinha grande) e de reencontar a turma da formatura, Zack tem a (brilhante?) idéia de fazerem um filme pornô de baixo orçamento para levantar a grana que precisam.

"Legal essa atriz, hein?"

Kevin Smith é genial no que diz respeito à diálogos. Como poucos na indústria atual, lida com temas delicados, providos de textos espertos, amarrados com boas piadas non-sense e atuações inspiradas (créditos do diretor) que no final das contas resultam sempre em filmes agradáveis de ser ver, mesmo quando afogadas no pastelão light. Aqui, apesar de muita coisa previsível, "Pagando Bem, Que Mal Tem" (argh!), diverte por mostrar pessoas simples com ideias grandes demais para seus recursos limitados. Os coadjuvantes conseguem ser tão interessantes quanto os principais, as piadas que poderiam ser bem mais grotescas em um filme do tema, ajudam para aproximar a platéia dos personagens. Seth Rogen (o comediante-padrão do momento, é o típico exemplo: Seu personagem tem bons momentos, mas perde força quando contracena com Jason Mewes (dono do monólogo do leme Holandês) e Craig Robinson (o Darryl da série "The Office). Kevin Smith acerta a mão e entrega um de seus filmes mais bacanas. E já que não podemos fazer nada além de rir muito das traduções tosqueiras que alguns filmes ganham, o jeito é ignora-los e curtir o filme.

Nota: 8,0

Trailer:

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Caretas Light

Não, não é uma outra versão de "O Mentiroso".

SIM SENHOR
(Yes Man; EUA, 2008)
Dir.: Peyton Reed
Com Jim Carrey, Zooey Deschannel, Rhys Darby, Terence Stamp
1h44 min - Comédia - 12 Anos

Quando Jim Carrey apareceu para o mundo, lá em 1993 com Ace Ventura, o cinema havia descoberto uma nova fonte de renda, em termos de comédias escrachadas pós-Jerry Lewis. Era algo bem diferente do que Eddie Murphy e cia. tinham como proposta. Era o mundo das caretas e roteiros amalucados novamente. Funcionou por um bom tempo. E Jim Carrey, com o passar dos anos resolveu sair da rotina e dizer "sim" à novas propostas. Apresentou excelentes filmes como "O Show de Truman" e  "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças", mas acumulou alguns vexames como "Número 23". Foram novas experiências que moldaram o ator. Fez bem para o currículo, mas em algum momento o Alarme soou, e Carrey voltou ao campo do pastelão. 

O filme retrata a nova experiência de Carl Allen, um gerente de empréstimos de um banco em Los Angeles que diz não à qualquer proposta que lhe aparece pela frente por ter como segurança maior a sua rotina. Mas depois de encontrar um velho amigo e participar de um seminário de auto-ajuda, ele faz um acordo com o palestrante (Terence Stamp, pagando as contas) que a partir daquele momento ele terá de dizer "sim" a qualquer proposta que lhe for feita.

"Festa Nerd do Harry Potter? Sim Senhor!"

Antes que você diga "é um 'O Mentiroso' ao contrário", lhe indico o filme por ser algo um tanto mais inteligente. As piadas do filme de 1999 continuam muito boas, mas a proposta aqui é mais coerente. Não tem nenhuma magia ou impedimento para que o personagem diga "sim" para tudo. É apenas um conceito de auto-ajuda levado ao extremo. E na pele de Carrey (onde suspeito que o papel tenha sido escrito para ele) o roteiro cai como uma luva e as piadas do filme funcionam bem. Principalmente nas festas do chefe nerd de Carl e em uma ou outra proposta bizarra que o filme oferece. Pode não ter mais aquela acidez ou originalidade de seus primeiros papéis, mas é genuíno. É é sempre bom ver Carrey de volta à ativa. Mesmo que em uma versão light.

Nota: 8,0

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domingo, 28 de dezembro de 2008

Amor Canino

E 2008 fecha em grande estilo!

MARLEY & EU
(Marley & Me; EUA, 2008)
Dir.: David Frankel
Com Owen Wilson, Jennifer Aniston, Alan Arkin, Kathleen Turner
2h00min - Comédia - Livre


Se tiverem de me rotular um dia, dirão que sou uma pessoa que prefere cachorros do que gatos. Eu tenho três cães na família: Bob, Nick e Dorinha. Cada um com sua história em particular, mas que não quer dizer necessariamente que gosto mais de um do que de outro, apesar de Bob ser o meu cão. E desde 1998, Bob esteve presente em todos os momentos-chave de minha vida. Bom momento ou mau momento, ele sempre esteve do meu lado. Sem rodeios. Só tendo e amando um cachorro para se ter uma idéia do que é o amor incondicional de um cachorro. E para entender por completo a essência desta pérola de fim de ano que é "Marley & Eu".

O filme, baseado no livro de John Grogan, narra os principais fatos da vida de um cão que, acredite ou não, existiu de verdade (o Marley do título). Chamado de o "pior cão do mundo", por sua hiperatividade, sua necessidade de mastigar objetos e sua facilidade de se meter em encrencas, Marley acompanha durante a sua vida a evolução da família Grogan. Não posso falar mais do que isto. Sério. 

"Que legal, a cabeça dele sai..."

Repito: Se você não gosta de cachorros, então você, provavelmente, irá achar este mais um "filme-lencinhos" de fim de ano. Tem os momentos em que a platéia se mata de rir, os momentos família e os momentos onde o ar da sala pode arder um pouco os olhos. O filme gira em torno do cão. Fato. A fase de crescimento é divertidíssima (ainda mais quando consideramos que Marley não e ficção), mas o grande mérito do filme (e do livro também) é focar na forma como a família é afetada pelo personagem-título. E acima de tudo, como um cão, por mais simples que ele possa lhe parecer, traz a sobriedade e sinceridade que falta em muitas coisas do seu dia-a-dia. O cão é amigo. O cão é direto, sem rodeios. Como este filme. Prepare os lencinhos, aproveite o programa, volte para casa e dê aquele abraço no seu companheiro, que certamente estará lhe esperando quando voltar.

Nota 9,0

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Amadores e Profissionais

A volta dos Irmãos Coen no campo do (bom) sarcasmo.

QUEIME DEPOIS DE LER
(Burn After Reading; EUA/UK/FRA)
Dir.: Joel e Ethan Coen
Com George Clooney, John Malkovich, Frances McDormand e Brad Pitt
1h36 min - Comédia - 16 Anos

Para quem anda acompanhando o cinema recente, sabe que filmes dos irmãos Coen sempre trazem à tona temas conhecidos do público de um ponto de vista único. Mas a constante de seus filmes são sempre personagens aparentemente comuns, cometendo pequenos erros que causam consequências extravagantes. E sempre com uma mão precisa quando utilizam-se de sarcasmo. Depois de levarem quatro Oscar pelo excelente "Onde os Fracos Não Tem Vez", eles resolveram voltar ao sarcasmo puro.

O ex-agente da CIA, Osbourne Cox, é forçado a se aposentar e decide escrever suas memórias. O problema é que um CD com suas informações é encontrado em uma academia de ginástica por dois funcionários que, precisando de dinheiro, resolvem chantagear o espião em troca de uma boa bolada para resolverem seus problemas pessoais. 

"Cara, esse CD é da hora..."

Com um elenco estrelar, a história é cautelosamente estruturada para que nenhum dos personagens ganhe um plano acima de seus companheiros de cena. Todos são coadjuvantes. Todos estão empolgados e em grande forma. Destaque para as performances de George Clooney e Brad Pitt, mas em especial para John Malkovich, que consegue arrancar gargalhadas da platéia a cada quatro cenas que aparece. Mas todos eles, sem exceção fazem de "Queime Depois de Ler", um filme magnífico, repleto de diálogos hiláriantes, personagens caricatos, situações extraordinárias, e uma ou outra cena mais chocante no meio para que a história mantenha o misto de suspense e comédia que um filme dos Irmãos Coen pede. Não espere um final marcante ou surpreendente. Tenha como base a própria conclusão do último diálogo do filme. Ou não seria um filme dos irmãos Coen.

Nota: 9,5

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domingo, 23 de novembro de 2008

Fora do eixo

Um triângulo amoroso com a cara de Woody Allen

VICKY CRISTINA BARCELONA
(EUA/ESP, 2008)
Dir.:Woody Allen
Com Rebecca Hall, Scarlett Johansson, Javier Bardem, Penélope Cruz
1h36 min - Comédia - 12 anos 

Woody Allen não é para todos os gostos. Muitos, aliás, torcem o nariz para o cineasta. Mas Allen, é indubtavelmente um excelente escritor, fora suas outras características que o fizeram um dos maiores nomes do cinema atual. De vez em quando, ele se permite sair do seu cenário confortável (que rende filmes, digamos "pacatos") para se revelar um verdadeiro "mestre de seu domínio". Histórias, ainda que simples, estruturadas com diálogos excepcionais. 

E em seu novo filme, Allen conta a história de duas amigas que decidem passar o verão em Barcelona. Vicky e Cristina, (Rebecca Hall e Scarlett Johansson respectivamente) viajaram com propósitos diferentes: Uma está pesquisando informações para concluir seu mestrado. A outra está buscando uma aventura. E a aventura de ambas será encarnada pelo artista Juan Gonzales (Javier Bardem), que lhes apresentará algo muito mais complexo do que uma cantada direta e um fim de semana em Oviedo.

"Acho que eu não entendi a piada..."

Apesar do parágrafo de abertura deste post, Vicky Cristina Barcelona pode não ser Allen no topo de seu jogo, mas com certeza apresenta situações que somente poderiam ter saído da mente do autor. Mesmo com a pecaminosa narração que deixa o filme um tanto preguiçoso e uma ou outra atuação mais distante, o filme ganha força com a entrada da explosiva personagem de Penélope Cruz (roubando a cena), como a temperamental ex-esposa de Gonzales, formando um curioso triângulo amoroso. Tudo isso com uma fotografia inspirada e uma belíssima trilha sonora, cruciais para a ambientação. Uma interessante fábula sobre a busca pelo equilíbrio interno com direito a algumas pinceladas sobre a incansável busca pela definição do amor. Allen mais uma vez se permitiu sair de sua toca. Ainda que com um pé atrás.

Nota 8,0

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Maturidade Zero

Will Ferrell no estilo clássico.

QUASE IRMÃOS...
(Step Brothers; EUA, 2008)
Dir.: Adam McKay
Com Will Ferrell, John C Reilly, Mary Steenburgen, Richard Jenkins
1h38 min - Comédia - 14 Anos


Will Ferrell é um ator que ainda não é muito conhecido no país. Uma pena. Seus filmes, contam com excelentes piadas e humor pastelão de primeira qualidade. E suas sátiras são certeiras nos estereótipos e suas gags que primam sempre pelo improviso, (visto sempre nos extras dos DVDs de seus filmes) são acompanhados pelo jeitão histérico e non-sense de seus personagens. Dito isso, não espere uma comédia cerebral deste "Quase Irmãos", ainda mais por ser assinada pelo mesmo diretor de alguns de seus grandes sucessos, como "O Âncora - A Lenda de Ron Burgundy" e "Ricky Bobby - A Toda Velocidade".

Brennan e Dale são dois quarentões mimados que ainda vivem respectivamente com sua mãe e seu pai. Quando os dois pais decidem juntar os trapos, os marmanjos terão de dividir o mesmo teto, mesmo que isso implique em perder a privacidade e sem necessariamente tendo que gostar um do outro.

"Quando você dormir eu vou te arrebentar..."

A premissa pode parecer boba, mas a verdade é que a primeira hora do filme é sensacional (considerando que você resolveu adotar o estilo bestalhão do filme). Ferrell e John C. Reilly garantem seu ingresso com piadas insanas, brigas infantis e o tradicional pastelão para o qual muita gente insiste em torcer o nariz. E ainda há tempo para falar sobre amadurecimento, mesmo que dita em uma parte onde o filme perde um pouco o fôlego, mas não o propósito. Contra-indicado para amantes do cinema cult, clássico ou de comédias-cabeça. Mas se você já é familiarizado com a histeria, pode se sentir a vontade. E é sempre bom se sentir uma criança vez ou outra. Mesmo que não sejam as suas dores.

Nota 8,5

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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Rindo de si mesmo

Ben Stiller comanda a melhor sátira dos últimos anos.
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TROVÃO TROPICAL
(Tropic Thunder; EUA, 2008)
Dir.: Ben Stiller
Com Ben Stiller, Jack Black, Robert Downet Jr., Tom Cruise, Nick Nolte
1h47 min - Comédia - 16 Anos
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Se rir é o melhor remédio, rir de si próprio pode ser melhor ainda. O exercício é válido. Ben Stiller, ator que vinha sofrendo com recentes filmes, optou pela contramão de tentar se redimir dentro de sua própria fórmula. Não que ele mude de gênero ou construa um personagem mais profundo. Ele comanda (literalmente) o show: Dirige, escreve, produz e atua neste "Trovão Tropical, sátira ao cinema Hollywoodiano em grande estilo.
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Começa na produção do filme (dentro do filme) "Trovão Tropical", em uma sequência onde tudo dá errado e os dois astros entram em conflito. A produção do filme é paralizada e o estúdio ameaça a cancelar o filme. Como solução, o pelotão principal é enviado a uma selva de verdade com o intuito de realizar um laboratório intensivo de comportamento numa guerra. O problema é que depois de um acidente inusitado, guerrilheiros reais começam a espreitar o grupo, enquanto alguns continuam acreditando que eles estão encenando.
."Você também é o Homem de Ferro?"
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O filme é uma luz em meio a tantas comédias ruins recentes. O trio principal (Stiller, Black e Downey Jr.) inspiradíssimo conseguem levar a comédia de forma tranquila. Só de apresentar os personagens principais utilizando-se de comerciais e trailers falsos hilariantes ajudam a dar o tom do filme pelas quase duas horas a seguir. Mas o que brilha no filme é a crítica ácida (ainda que possívelmente exageirada) ao comportamento das personalidades do cinema: Desde os astros e seus exageiros aos "donos do dinheiro". Temos o ator viciado em drogas, o astro que não lê seus roteiros, o ator descerebrado, o dono de estúdio ganancioso, o agente que acima de tudo mima seus atores, e por aí vai... Tudo com boas atuações do elenco em geral e diálogos tão engraçados quanto as situações do filme. Comédia de primeira. E com atores rindo deles mesmos.
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Nota 9,0
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Trailer: