Mostrando postagens com marcador Ficção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ficção. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Galáxia Vintage

Marvel em um momento relax.

Guardiões da Galáxia
(Guardians of the Galaxy; EUA/ING, 2014)
Dir.: James Gunn
Com Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Benício Del Toro
1h44 min - Ação/Comédia - EM BLURAY E DVD



A Marvel é muito seria. 

Em poucos anos, inundou as telas e o imaginário coletivo ao introduzir filmes de diferentes super-heróis e preparar a base para uma história única, contada através de múltiplos filmes. E fez um golaço. 

Quanto mais bilheterias, mais o Universo Marvel se expande. E mais portas se abrem para a inserção de novos personagens. 

Mas a Marvel é muito seria. E as vezes faz bem relaxar. Fazer umas piadas. Tirar o sapato e descansar um pouco. Aliviar a tensão. E a forma mais Marvel de fazer isso, é obviamente, com outra história para expandir (ainda mais) seu universo. 

Esse filme, no caso, é Guardiões da Galáxia, a maior e melhor surpresa da marca. Peter Quill, é um mercenário espacial que acaba adquirindo um ítem valioso, o que acaba chamando a atenção de outros caçadores de recompensas. Para se safar e evitar que esse ítem caia em mãos erradas, ele se unirá a um grupo de desajustados para que o Universo não tome um sombrio rumo. 

"Me dê as chaves seu..."
"Guardiões" é de longe o filme mais charmoso e despojado do universo Marvel. Com um apelo diferenciado dos demais filmes da marca, abdica de focar na ação para privilegiar diálogos e um irreverente humor com maior destaque. São personagens carismáticos colocados em uma trama simples com o propósito de divertir de forma descontraída. Não tenta soar como um filme serio em nenhum momento e esse provavelmente é o maior mérito do longa. 

Seu charme ainda contempla uma trilha sonora inspirada, com um feeling retrô que leva o público a um curioso sentimento de nostalgia, como se transportado a uma ficção científica dos anos 70. Um respiro de ar fresco em meio à tanta seriedade que os próximos filmes da Marvel promete (especialmente no que o próximo Vingadores aparenta ser com o seu trailer).

Voltemos à quebradeira portanto. Mas com data marcada para o próximo "momento relax", em 2018. 



segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Sem Emoção

Jeff Bridges e Meryl Streep valem uma porcentagem do seu ingresso.

O Doador de Memórias
(The Giver; 2014)
Dir.: Phillip Noyce
Com Brenton Thwaites, Jeff Bridges, Meryl Streep, Katie Holmes
1h37min - Ficção/Drama - 14 Anos


Se eu lhe pedir para que me liste histórias que contam sobre a busca por sociedades perfeitas, você pode me listar alguns. Futuros utópicos e distópicos, e você lista ainda mais títulos diferentes.

E são boas as chances dos títulos citados, serem de pelo menos, 8 anos para trás.

Os filmes futuristas andam em baixa. Para isso, alguns atrativos são necessários para chamar um público. Convocam um candidato a estrela de cinema para protagonizar a adaptação de um livro de bom apelo ao público jovem e como complemento, atores consagrados para dar peso e chamar o pessoal que não conhece a história. Capriche no trailer e vamos lá.

A história se passa numa sociedade que extraiu as emoções da população para que tudo possa ser controlado e assim progredir sem imprevistos. Os habitantes são analisados durante seu crescimento e então, na maioridade, desginados a cumprir funções de acordo com suas habilidades destacadas. Quando um deles se destaca em diversas habilidades simultaneamente, o que é raro, ele é designado a ser "O Guardião de Memórias", que aprenderá toda a verdade por trás da sociedade em que vive com o "Doador de Memórias".

Essa página não estava no meu roteiro...
Logo na capa do filme você vê Meryl Streep e Jeff Bridges. Grandes, ao fundo, porém com bom destaque. Exatamente como são no filme. Papéis coadjuvantes, de grande importância. Dois monstros do cinema americano que, obviamente dão um show de bola e engolem com facilidade todos os outros participantes no filme. E engole com requintes de crueldade, tamanha a disparidade da qualidade dos envolvidos. Faço leve exceção ao desconhecido Brenton Thwaites, que, esforçado como protagonista e companheiro de cena de Bridges, se coloca um nível acima dos demais.

O diretor de ação, Phillip Noyce, com um curriculo bacana (O Santo, O Colecionador de Ossos, Perigo Real e Imediato) faz um filme que segue um caminho relativamente previsível - até o tratamento de cores, indicando onde há e onde faltam emoções, não é novidade. Se conseguirmos deixar passar algumas problemáticas conceituais que acabam contradizendo as regras básicas da construção da história, "O Doador de Memórias" ganha da concorrência por uma leve vantagem.

Mas leve vantagem mesmo. E por conta dos atores já citados. Nada é muito apronfundado, e toda a apresentação dos personagens e do contexto é feito de forma apressada demais, evitando correr qualquer risco de deixar uma ponta solta para ter que ser explicado mais tarde. Em seguida, tudo segue uma cartilha rígida de direcionamento do espectador. Nada é o que parece ser, personagens que pareciam ser bonzinhos são muito cruéis ou se limitam a obedecer o comando para não se complicar. E para não haver qualquer questionamento, algumas cenas chocantes são inseridas (de forma um tanto surpreendente) no contexto. É talvez a mais sincera tentativa de conseguir extrair uma emoção de um filme que até então, teve muito pouco.

E o então aguardado final, chega num anti-clímax que poderá fazer com que muita gente saia decepcionado.

E tudo continua a ser como antes.


terça-feira, 8 de julho de 2014

Boa Idéia/ Má Idéia

Rebobine, por favor.

Transcendence - A Revolução
(Transcendence; EUA, 2014)
Dir.: Wally Pfister
Com Johnny Depp, Rebecca Hall, Paul Bettany, Morgan Freeman
1h59min - 12 Anos - Ficção


Eu, como fã de desenhos animados, gostava de um "quadro" dentre os vários que o desenho dos Animaniacs possuia, que se chamava Boa Idéia/ Má Idéia. Era basicamente uma mesma idéia, executada de duas formas distintas: A Boa e a Má.

Há um longo caminho entre uma idéia e a execução dessa idéia em um filme.

Pois uma idéia ruim, quando bem executada, pode até virar um sucesso. Tem um caminhão de filmes aí que podem comprovar essa teoria. Mas uma boa idéia, quando mal executada derruba toda a experiência na telona.

E olha que a idéia inicial de "Transcendence - A Revolução" é boa e porque não, possível?

Dr. Will Caster (Johnny Depp) estuda a criação de um sistema de inteligência artificial revolucionário, que levanta as atenções de um grupo extremista. Sofre um atentado ao sair de um seminário e antes de morrer, ele e sua esposa tem a ideia de transferir sua consciencia para um computador, de forma que possa levar seu trabalho adiante. Mas uma vez lá dentro, será mesmo Will ou será uma máquina agindo como Will. Quais os limites desta perigosa empreitada?

Eles empataram... Vai ter prorrogação...
Apesar das belíssimas cenas e da direção aparentemente tranquila do estreante Wally Pfister (que foi o diretor de fotografia da trilogia do Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan), o filme realmente empaca no desenvolvimento do roteiro, ambicioso demais para um filme que parece padecer de uma certa falta de inspiração. Começa de forma muito interessante e se mantém assim até a metade do caminho, o que ajuda muito a estabelecer o filme e como as idéias dos personagens acabam se chocando com os acontecimentos e suas consequentes adaptações necessárias para sua sobrevivência. Mas na segunda metade do filme, o texto sofre uma evolução exageirada demais pelo o que o filme era até então. 

As atuações não vão muito além do que os atores já entregaram em filmes passados, inclusive Depp, que se não demonstra aqui os repetitivos tiques de Ichabod Crane/Jack Sparrow (ufa!) e Morgan Freeman, como o Morgan Freeman que todos aprendemos a gostar de ver, não fazem muito esforço para garantir a diversão e deixam parte da carga emocional para Paul Bettany - sempre coadjuvante e sempre legal de ver - e Rebecca Hall, respectivamente o melhor amigo e a esposa de Will Caster. Não vão muito longe, mas são os dois personagens que dimensionam a grandeza da ameaça que o computador se tornou.

Mas o grande problema é que o filme não possui um componente imprescindível: não é divertido. E não digo divertido como em "engraçado" (o que definitivamente não caberia aqui). O filme não entretém. Não é divertido de se ver. 

Transcendence - A Revolução, definitivamente entra para a gaveta de filmes iniciados por uma boa idéia, executada de forma equivocada. O filme insiste em "não se desligar" (desculpem o trocadilho) resultando em uma experiência estendida para um conteúdo que, bem enxuto, poderia se transformar em boa discussão ao invés de filmão pipoca.



quarta-feira, 2 de julho de 2014

Desculpe, Amigo.

Muitas viagens no tempo...

X-Men: Dias de Um Futuro Distante
(X-Men: Days of Future Past; EUA, 2014)
Dir.: Bryan Singer
Com Hugh Jackman, Jennifer Lawrence, Ian McKellen, Michael Fassbender
2h11min - Ação/ Aventura - 12 Anos


Ok, começo esse post confessando que não gosto muito dos X-Men. Gostava na infância, sem ser um ávido leitor, ou um fã incondicional.

Mas no que diz respeito às adaptações cinematográficas, continuo a discordar da esmagadora maioria. Por exemplo: Acho os três primeiros filmes péssimos. Estou quase sozinho quando digo que o primeiro filme do Wolverine foi divertido (não me prontifiquei a assistir ao segundo) e acho que o único filme realmente bom da série seja o "Primeira Classe".

Era de se esperar, como quase foi, que passasse longe desta última incursão dos mutantes na tela grande. Mas eis que um amigo, que entende dos X-Men bem mais do que eu, continuou insistindo para que eu desse mais uma chance. E baseado no respeito pela opinião do amigo, resolvi conferir "Dias de Um Futuro Distante".

Para resumir a confusa trama, digo que a história gira em torno dos X-Men originais (o cast duvidoso que compôs a primeira trilogia da série) que enviam Wolverine de volta ao passado, para prevenir desastrosas decisões que levaram ao futuro nebuloso em que vivem. E isso inclui unir forças de mutantes "do bem" e "do mal", em torno de um único propósito.

Alô? Tem como diminuir a luz aí?

Esse X-Men começa de forma interessante, nos dando uma prévia de um futuro sombrio, onde os riscos são praticamente impossíveis de serem batidos. O que indica ao espectador toda a engrenagem que irá sustentar o resto do filme. Mas conforme a história avança, a necessidade de explicar as idas e vindas no tempo, torna o filme massante demais.

Além disso, toda aquela dinâmica entre Magneto, Xavier e Mística, o ponto forte do "Primeira Classe", é quase o ponto fraco desse episódio, onde ao invés de expandir, a relação entre o trio parece se retrair. Wolverine, que tem um papel consideravel aqui, acaba por muitas vezes, relegado a um coadjuvante de luxo. 

A trama acaba por se tornar um tanto previsível, especialmente, por se tratar de uma viagem ao passado - em tese, sabemos como tudo teria que terminar para que os outros filmes façam sentido. 

Infelizmente, para mim, o filme não funcionou. E acaba sendo mais uma baixa pessoal nas minhas tentativas de me empolgar com a série.

Ainda não foi dessa vez...

Desculpe, Amigo.




domingo, 16 de fevereiro de 2014

Virtuosa Virtualidade

Spike Jonze e o Amor

Ela
(Her; EUA, 2013)
Dir.: Spike Jonze
Com Joaquim Phoenix, Scarlett Johansson, Rooney Mara, Amy Adams
2h07 min - 14 Anos


Interessante observar as reações quando dizia às pessoas que "Ela", é um filme sobre um homem que se apaixona pelo sistema operacional do celular. Caras franzidas, espanto. A certeza de uma história estranha e que, talvez, forme um péssimo filme. 

Adianto que o filme não é somente sobre isso. Vai além. Vai além, inclusive do que o trailer parece entregar.

Não se atendo apenas ao tempo onde o filme se passa, a Los Angeles futurista do filme, se mostra fria, superpopulada por pessoas que se aglomeram, mas não interagem entre si. Todas, no entanto, munidas de um aparelho com as quais interagem, pedindo musicas, informações, ou até mesmo, ocasionalmente, conversando com outras pessoas através do acessório.

Futurista?

E é neste cenário, que conhecemos Theodore Twombly (Joaquim Phoenix) Um homem consumido pela tristeza do fim de um casamento. E em meio à essa melancolia, trabalha escrevendo cartões comemorativos de pessoas reais. Ele é capaz de simular diferentes formas de emoção, sem ao menos ter um contato mais profundo do que meras informações registradas em um banco de dados.

Portanto, se apaixonar por Samantha, um sistema operacional, que faz exatamente isso, não parece ser algo tão fora do comum. Ou parece?

"Fala que eu te escuto, Scarlett"
Em mãos menos habilidosas, talvez o filme perdesse impacto. Poderia ser inundado de clichês e momentos piegas. Mas a verdade é que Spike Jonze tece com (muita) qualidade, uma história de amor inusitada, induzindo a plateia a se esquecer que, no fim das contas, Samantha é apenas voz. Culpa também, da surpreendente interpretação de Scarlett Johansson.  

O filme também acerta quando fala da banalização do uso da tecnologia. É uma critica, bem disfarçada. As relações humanas se equiparam com à uma relação virtual e a relação de Theodore com a sua vizinha, Amy (Adams, pra variar, excelente), mostra bem isso. Você pode até torcer por uma relação entre os dois - até porque, fica explicita a importância do contato humano - mas a necessidade que Samantha tem de se desenvolver e de aprender o mundo humano é tamanha, que ao invés de causar espanto, causa empolgação aos protagonistas. 

E ao fim, quando subirem os créditos, um sentimento incomodo poderá tomar conta de você. Provavelmente o fim de uma história de amor, que tenha simulado uma ampla variedade de sentimentos entre um homem e uma mulher, mas sob a ótica de um homem e uma maquina.