domingo, 2 de agosto de 2009

A Preparação

Potter fica mais sombrio e prepara o terreno para a conclusão da saga.

HARRY POTTER E O ENÍGMA DO PRÍNCIPE
(Harry Potter and The Half-Blood Prince; EUA/ING, 2009)
Dir.: David Yates
Com Daniel Radcliffe, Michael Gambon, Alan Rickman, Helena Bonham-Carter
2h35min - Aventura - 10 Anos



Aviso aos leitores. Não assisti ao segundo nem ao quinto filme da série. Não li nenhum livro da saga de Potter.

Ainda aqui? Ótimo. Vou falar do sexto filme da saga do bruxo adolescente que cativa um imenso e fanático público, com suas razões. Apesar de não ter gostado muito dos dois primeiros filmes que assisti (o primeiro e o terceiro), é inegável o cuidado e a precisão técnica de recriar um mundo, que segundo os fãs ardorosos, com muita fidelidade à descrição dos livros. E uma frase à parte para a categoria superior de efeitos especiais obrigatórios para encantar os olhares dos fãs dos livros, fãs dos filmes e até àqueles que como eu, gostam de entretenimento na telona.

No sexto filme da série, a ameaça é cada vez maior para Hogwarts e o mago Dumbledore se aproxima ainda mais de Harry Potter, devido a iminência de uma grande batalha contra Voldemort. Por conta disso, os dois começam a rever as memórias capturadas do vilão para tentar descobrir meios concretos de derrotá-lo e o professor Horácio Slughorn pode ser uma peça importante.

"Harry, acho que encontraremos o Gollum naquela caverna..."

Uma coisa é fato: Este filme é uma ponte. Uma preparação para o anunciado "quebra-pau" que deverá acontecer no capítulo final. A saudável direção de David Yates consegue criar um clima muito tenso e vital para o bom funcionamento da trama. E o roteiro, enrolações à parte, é cauteloso e bem construido, que permite aos pouco familiarizados a se situarem na trama sem precisar perder muito tempo para se encontrar. E o que dizer da parte técnica do filme? Irretocável e sem capacidade para ganhar críticas negativas. A saga de Potter ganha um belo filme, um capítulo que faz jus à grandiosidade de seu tema e de seu eleitorado. Assistir ao derradeiro episódio (que será dividido em dois) será inevitável. E a vontade de recapitular toda a história aflora pela primeira vez neste crítico.

Nota 8,5

Trailer:

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Confortáveis Clichês

Fórmula batida com atores competentes

A PROPOSTA
(The Proposal; EUA, 2009)
Dir.: Anne Fletcher
Com Sandra Bullock, Ryan Reynolds, Craig T. Nelson, Mary Steenbugen
1h 48 min - Comédia Romântica - Livre



Ok, não vou entrar em detalhes sobre a competência de Sandra Bullock em termos de comédias românticas. Uma atriz engraçada, com boa presença de cena, sempre amparada por roteiros engraçadinhos e diretores que parecem dar bastante espaço para ela. E não vou entrar em detalhes sobre a competência de Ryan Reynolds de fazer as pessoas rirem no cinema. Fez isso em filme de terror e fez isso em filmes de ação. Cada um, "namoradinhos da américa" (não que este blogueiro se apegue a este termo) em sua determinada época. E agora, juntos no mesmo filme.

O filme conta a história da dominadora chefe Margareth Tate (Bullock em uma espécie de "Diabo Veste Prada", numa versão para as crianças), que para fugir de ser deportada para o Canadá por problemas legais, decide mentir para a imigração, contando que se casará com seu assistente (Ryan Reynolds, em seu papel característico). Para que possam conhecer melhor um ao outro - e para que sejam aprovados na entrevista do consulado - eles passarão um final de semana juntos no Alasca no aniversário da avó do assisstente. Uma balinha refrescante de menta para quem acertar o que acontece...

"Eu falei que daria certo..."

E por mais "manjado" que o desenrolar da história seja, as duas horas de projeção valem o ingresso, justamente pelo que o parágrafo inicial descreve. Os dois atores, cumprem o que prometem, demonstram estar bem a vontade nos papeis e divertir a platéia não parece ser difícil. As piadas competentes seguram a história, porque ao invés de tentar se distanciar de clichês, os abraçam com força. Esperar o final anunciado passa a ser divertido e não penoso. Principalmente com uma senhora tão engraçada como Bety White (a "Vovó Annie"), que rouba a cena. Em tempos de super-heróis, bruxos amaldiçoados e tiroteios, um filme que lhe deixa respirar e curtir um programinha a dois.

Nota 7,5

Trailer:

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Evolução das espécies

Maior e Melhor. Diversão garantida.

A ERA DO GELO 3
(Ice Age: Dawn of the Dinosaurs; EUA, 2009)
Dir.: Carlos Saldanha
Com as vozes de Ray Romano, John Leguizamo, Denis Leary, Queen Latifah
1h 34 min - Comédia/Animação - Livre


A Fox nunca entrou pesado no conturbado mercado de animações. Com filmes mais (digamos...) simples e se concentrando nas histórias, conseguiu captar seu público fiel. A estratégia para entrar foi simples. Girou em torno de um esquilo e sua noz. Em um teaser sensacional, que depois descobrimos ser a abertura do filme. E quando o filme passou, Scrat (o esquilo) era apenas um coadjuvante. Mas que aparecia sempre quando o filme precisava de uma injeção de ânimo ou de uma nova guinada na história. Deu certo. Deu duas sequências. A terceira parte abocanhou a liderança de bilheteria nos EUA e no Brasil (desbancando Transformers).

No novo capítulo, Manny, o mamute está para ser pai. Isso desperta o instinto maternal/paternal na preguiça Sid, que ao encontrar três ovos de seu tamanho, decide cria-los. O que o bando não fazia idéia, é de que os ovos pertencem a um tiranossauro, que vive junto a uma sociedade de dinossauros debaixo da camada de gelo onde se passaram as duas histórias anteriores. O tiranossauro então, busca os ovos e acaba levando Sid junto. O grupo agora terá de descer ao novo mundo para resgatar seu amigo falastrão.

"Não, eu não vi a sua noz..."

Seguindo a cartilha das sequências inteligentes, e levando a idéia do "maior e melhor" ao pé da letra, o terceiro capítulo se apresenta como o melhor. De longe. Um tamanho cuidado com a história quanto com a animação, "A Era do Gelo 3", é de fato a evolução de sua espécie. As piadas agora satisfazem adultos e crianças (muitas delas apenas para adultos), a história não descamba para momentos sensíveis ou tristes. As gags tomam uma sequência inacreditável, que faz o filme decolar. Mesmo que acredite que seja previsível, temos de reconhecer o abismo entre as produções anteriores. E a presença de Scrat, com uma disputa saudável pela noz. A iminente aparição de fêmea da sua espécie, que brigarão pela noz até... Bem. Sem spoilers. Valeria o ingresso simplesmente pelo sensacional tango que os dois dançam na disputa. Mas a história e o humor rivalizam pela primeira vez com o esquilo. Vale vários ingressos.

Nota: 8,5

Trailer:

Crise Econômica

O mau corte de gastos.

TRANSFORMERS: A VINGANÇA DOS DERROTADOS
(Transformers: Revenge of The Fallen; EUA, 2009)
Dir.: Michael Bay
Com Shia LeBeouf, Megan Fox, John Turturro, Josh Duhamel
2h 30 min - Ação - 12 anos


Em 2007, tive de defender a duras penas o meu gosto pelo filme Transformers. Era um filme que, apesar de forçado, respeitava seu público-alvo: Espectadores que queria cenas intensas de ação, combinadas com efeitos sonoros e visuais incríveis. Foi realmente um "filme de temporada" como o público merecia. E a sequência viria, não só pelo desfecho, mas pela máquina de dinheiro que a franquia tinha se mostrado: Uma das 5 maiores bilheterias em um ano com Homem-Aranha, Shrek e Harry Potter. Mas entre Julho de 2007 e Julho de 2009, uma crise econômica que assola o planeta e afetou praticamente todos os setores de produção. Inclusive o cinema.

Na sequência, Sam vai para a faculdade e acaba encontrando um pedaço do "Cubo": Uma fonte de energia, capaz de criar os Transformers. Fallen, um vilão mais poderoso do que Megatron, decide mandar novos robôs à Terra, para rastrear e obter este pedaço para recriar seu exército e se vingar de Optimus Prime e os Autobots. Ah, antes que me esqueça, Os transformers já existiam antes mesmo da nossa existência e teriam escondido uma arma poderosíssima em algum lugar do planeta.

"Corre, que agora vamos ter que fazer o terceiro..."

O que parece ter sido perdido durante a transição, foi justamente o que o público esperava ver: Grandes cenas (em quantidade e qualidade) de ação, com a natural evolução que uma sequência pede, com robôs melhores. Mas a produção optou por aumentar as piadas e encurtar a ação. Não me entendam errado, o filme tem suas boas piadas, mas pensar em segurar um filme de ação com duas horas de comédia chega a ser bizarro. A grande sequência inicia o filme, a segunda boa vem lá com uma hora. E o confronto final, no meio do deserto (o que acredito ter economizado bons valores), chega a ser uma piada. A história? Um insulto. Uma perda incrível de tempo e um insulto. Os robôs? Mais do mesmo. Mas o verdadeiro crime foi diminuir toda a vontade do seu público de ver o robô Bumblebee participar de uma ínfima cena (com menos de 5 minutos) perdida em meio à sequência final. Não vou nem comentar sobre o tamanho da participação dos militares, que tiveram seu espaço no filme original. Preferia uma história mais simples, como uma vingança clichê por parte do antagonista do filme original, Megatron. A destruíção característica do diretor Michael Bay foi cortada, mas ele pode manter seus takes mirabolantes. O público perdeu. Fico com o primeiro filme.

Nota: 5,0

Trailer: