sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Maturidade Zero

Will Ferrell no estilo clássico.

QUASE IRMÃOS...
(Step Brothers; EUA, 2008)
Dir.: Adam McKay
Com Will Ferrell, John C Reilly, Mary Steenburgen, Richard Jenkins
1h38 min - Comédia - 14 Anos


Will Ferrell é um ator que ainda não é muito conhecido no país. Uma pena. Seus filmes, contam com excelentes piadas e humor pastelão de primeira qualidade. E suas sátiras são certeiras nos estereótipos e suas gags que primam sempre pelo improviso, (visto sempre nos extras dos DVDs de seus filmes) são acompanhados pelo jeitão histérico e non-sense de seus personagens. Dito isso, não espere uma comédia cerebral deste "Quase Irmãos", ainda mais por ser assinada pelo mesmo diretor de alguns de seus grandes sucessos, como "O Âncora - A Lenda de Ron Burgundy" e "Ricky Bobby - A Toda Velocidade".

Brennan e Dale são dois quarentões mimados que ainda vivem respectivamente com sua mãe e seu pai. Quando os dois pais decidem juntar os trapos, os marmanjos terão de dividir o mesmo teto, mesmo que isso implique em perder a privacidade e sem necessariamente tendo que gostar um do outro.

"Quando você dormir eu vou te arrebentar..."

A premissa pode parecer boba, mas a verdade é que a primeira hora do filme é sensacional (considerando que você resolveu adotar o estilo bestalhão do filme). Ferrell e John C. Reilly garantem seu ingresso com piadas insanas, brigas infantis e o tradicional pastelão para o qual muita gente insiste em torcer o nariz. E ainda há tempo para falar sobre amadurecimento, mesmo que dita em uma parte onde o filme perde um pouco o fôlego, mas não o propósito. Contra-indicado para amantes do cinema cult, clássico ou de comédias-cabeça. Mas se você já é familiarizado com a histeria, pode se sentir a vontade. E é sempre bom se sentir uma criança vez ou outra. Mesmo que não sejam as suas dores.

Nota 8,5

Trailer:

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Policial Express

De Niro e Pacino se encontram em um filme irregular.

AS DUAS FACES DA LEI
(Righteous Kill; EUA, 2008)
Dir.: Jon Avnet
Com Robert DeNiro, Al Pacino, John Leguizamo, Carla Gugino
1h42 min - Policial - 16 Anos


O cinema também vive de expectativas. Mesmo que não se concretizem, todos anseiam por ver grandes atores contracenarem. "Onze Homens e um Segredo" (escolha a sua versão) é o típico exemplo. Filmes bem recebidos pela crítica e sucesso absoluto de público. Em 1995, dois dos maiores ícones (em termos de atores) da história se reuniram em um filme impecável: "Fogo Contra Fogo". Al Pacino e Robert DeNiro dão um show em um dos melhores policiais já realizado por aqueles lados. E agora, 13 anos depois, o reencontro. E mais expectativas.

Turk e Rooster são dois parceiros policiais de longa data, além de se considerarem melhores amigos. Mas depois de tanto tempo na polícia, e de ver tantos criminosos saírem impunes, se deparam com um Serial Killer que está fazendo justiça com as próprias mãos e deixa na cena do crime como marca registrada, um poema sobre a vítima.

"Cara, fala mais devagar... Dor de cabeça..."

O filme, dentre algumas qualidades se destaca pela pressão que a história tem. E essa pressão funciona a medida em que vamos nos aproximando de descobrir o assassino da história. Mas todo o resto do filme parece ter sido feito de forma descompromissada. Até mesmo os astros principais parecem relaxados demais para um filme que deveria se levar a sério. O roteiro, começa de forma promissora e acaba se dissipando até sua conclusão previsível e inosso, sem contar nos inúmeros desenvolvimentos de personagens secundários que não nos leva a lugar algum. Comparar com o outro encontro dos astros não será necessário. O patamar ja estava alto demais.

Nota: 6,5

Trailer:

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Que Fôlego!

Mais um musical que ganha a telona

MAMMA MIA!
(Mamma Mia!; EUA, 2008)
Dir.: Phyllida Lloyd
Com Meryl Streep, Pierce Brosnan, Colin Firth, Stellan Skarsgard
1h40 - Musical - 10 Anos
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No começo do ano, ao ver as inúmeras reportagens sobre filmes de 2008, a que eu botava menos fé era numa versão para as telonas do musical "Mamma Mia!". Não pergunte porque. Era um feeling. Algo me dizia que não seriam miutas pessoas que pagariam para ver uma coletânea de músicas do Abba cantadas por Meryl Streep e Pierce Brosnan. E hoje, pago minha língua. "Mamma Mia!" é além de uma grata surpresa, divertido a beça.
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Para quem nunca havia ouvido falar da história, ou não viu nenhum trailer nos últimos três meses nas salas de projeção: Menina decide se casar. Descobre que pode ser filha de três homens distintos e portanto, resolve convidar os três, para que possa conhecer seu verdadeiro pai depois de 20 anos. 
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"E aí? Tá a fim de cantar mais uma?"
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A verdade é que não me divertia tanto com um musical desde que "Chicago" foi lançado lá em 2003. Mesmo sabendo apenas refrões das canções da banda sueca, o filme empolga. Os três inspirados atores que interpretam os possíveis pais da menina (Pierce Brosnan, Colin Firth e Stellan Skarsgard) roubam a cena e protagonizam 8 entre 10 piadas do filme. Mas não apagam a sempre surpreendente Meryl Streep, que esbanja fôlego em todas as suas canções. O tratamento dado às cenas do filme, apoiadas à belíssima paisagem das ilhas gregas, somam ao espetáculo visual que o filme oferece. Mais do que se espera de um musical. O ritmo do filme cai depois da primeira hora e chega até a ficar um tanto lento, se recuperando no final. Mas é diversão garantida. Principalmente a dois. E eu truco qualquer um que saia da sessão sem cantarolar nada.
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Nota 8,0
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Trailer:

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Caos em São Paulo

Meirelles choca a platéia... de novo.
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ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
(Blindness; CAN/BRA/JAP, 2008)
Dir.: Fernando Meirelles
Com Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Gael Garcia Bernal, Danny Glover
2h00 min - Drama - 16 Anos
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Ligar o computador, acessar o site, ler a crítica. Checar e-mail. Dirigir até o trabalho. Comer. Esta crítica até poderia começar a falar da importância da visão no dia-a-dia. Poderia citar exemplo de deficientes visuais que superaram obstáculos e venceram. Mas neste filme, o foco não deve ser este. Não pode ser. Não é mais um filme sobre a desconstrução do relacionamento humano, ou sobre vencer a vida. É um retrato cru do caos, da tirania e da (porque não?) esperança. Com uma São Paulo caótica de fundo e com atores internacionais estrelando uma história que não necessita nem de nomes para seus personagens.
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O filme começa com um cidadão ficando cego. Uma cegueira onde se vê tudo branco. E todos aqueles que entram em contato com eles também perdem a visão. Logo, uma epidemia que instala o pânico generalizado e força o governo a tomar medidas drásticas e isolar os contaminados. E no isolamento, são abandonados à sua própria sorte, com superlotação, comida escassa e sem quaisquer condições mínimas de higiene. O problema é que lá dentro, um grupo resolve controlar a distribuição de alimentos e esse desequilíbrio na "democracia" faça tiranos de uns e vítimas de outros. A vantagem das vítimas é justamente a personagem de Julianne Moore, a única que consegue ver.
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"Agora não amorzinho... não consigo dormir..."

Dizer que Meirelles é um diretor (muito, mas muito mesmo) acima de sua geração não é mais uma constatação assustadora. E nesta adaptação do premiado livro de José Saramago, a história não é diferente. Apoiado na câmera inquieta de César Charlone e na edição fantástica de Daniel Resende, o filme prende até mesmo o espectador mais incrédulo na cadeira, em especial, durante a sequência do isolamento dos cegos. E falar que sua capacidade de analisar minuciosamente os personagens e os ambientes só faz com que o filme fique mais rico e intrigante. Não é para os estômagos mais fracos, devido às cenas (fortes) de violência, estupro e das situações extremistas pelas quais os personagens passam ao longo do filme. As atuações, inspiradas ajudam a desenvolver o clima apocalíptico da trama. E destaque para Gael Garcia Bernal, como o "Rei da Ala 3". Tecnicamente, um filme perfeito. Em termos de história e de ritimo, o filme pode até pecar em alguns pontos, mas nada afeta a capacidade de Meirelles em contar uma história crua e sem restrições. É cinema de primeira qualidade. Com um brasileiro no comando.

Nota 8,5
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Trailer: