sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Reerguendo Carreiras

O (provável) Oscar de Mickey Rourke

O LUTADOR
(The Wrestler; EUA, 2008)
Dir.: Darren Aronofsky
Com Mickey Rourke, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Ernest Miller
1h55 min - Drama - 18 anos


Um ator pode ficar marcado por um personagem. Uma interpretação inspirada, reconhecida, e a partir daquele momento todos lembrarão do personagem que irá estereotipar o ator pelo resto de sua carreira. Ou há casos onde o personagem procura seu intérprete perfeito. Ele existe e tudo o que resta é o roteiro aterrisar sobre a mesa do ator. Ano passado, o personagem era Randy "The Ram" Robinson. O ator é Mickey Rourke. E o encontro se deu num filme espetacular, chamado "O Lutador".

Randy "The Ram" Robinson era um lutador de luta livre famoso e vencedor. Conhecido em todos os EUA (onde o esporte, digamos, é muito bem conhecido) e campeão, atraíndo sempre multidões nas arenas das mais perigosas lutas. Ele era. A idade chegou para ele e os problemas decorrentes da idade e do consumo abusivo de drogas encontraram The Ram, e agora ele terá de escolher entre viver uma vida comum e pacata, onde terá de reencontrar suas raízes e adimitir seus erros com sua filha ou se arriscar até o fim na arena.

"Wow... preciso maneirar na bebida..."

Mickey Rourke é The Ram. The Ram é Mickey Rourke. Um personagem que está literalmente o tempo todo na tela e que a câmera inquieta de Darren Aronofsky força o espectador a assitir todos os momentos de dor e decepção de um homem que é forçado a deixar a luta fantasiosa e combinada dos ringues, pela imprevisível de ser um cidadão comum. Desde que Jamie Foxx trouxe Ray Charles ao cinema que eu não me impressionava tanto com uma interpretação tão realista e densa. Um personagem que se recusa a sucumbir na pressão de um trabalho estranho e de ter a única filha distante de sua vida. 

E o filme? Não se preocupe, é um filmaço. Mas como as duas horas de projeção ficam em torno de Rourke, não acho que você lembrará de muitas outras coisas. Apenas do Lutador. E da cena do supermercado.

Nota: 9,5

Trailer:



2 Indicações ao Oscar:

-Ator (Mickey Rourke)
-Atriz Coadjuvante (Marisa Tomei)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Tudo a perder

Fazendo justiça com lábia e patrocinadores.

FROST/NIXON
(EUA; 2008)
Dir.: Ron Howard
Com Frank Langella, Michael Sheen, Sam Rockwell, Kevin Bacon
2h02 min - Drama


Ron Howard pode ser um diretor que não divide da mesma fama de um Spielberg ou pertencente à mesma classe de um Coppola. Mas Ron Howard andou fazendo excelentes filmes. Seu verdadeiro talento no entanto, aparece quando lida com uma história verídica. Ganhou o Oscar por "Uma Mente Brilhante", colocou Tom Hanks no espaço em "Apollo 13" e agora relata o embate televisivo entre o ex-presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon e o apresentador-galã inglês David Frost. 

O que foi planejado como um mero bate-papo, se torna na esperança de uma nação para ouvir um pedido de desculpas engasgado de um presidente recém-deposto. Se de um lado, Nixon está desfrutando suas férias forçadas, do outro, Frost busca patrocinadores, emissoras e aliados para fazer as entrevistas acontecerem. E o iminente confronto entre Davi e Golias está cada vez mais próximo, forçando a celebridade a deixar de lado as festas e se concentrar na enorme responsabilidade que arrumou.

"Puxe meu dedo..."

Durante as duas horas de duração, o diretor Ron Howard utiliza-se de seu talento para construir um embate belo e tenso, quase como uma luta de boxe, onde qualquer lado pode vencer a qualquer hora e por qualquer meio necessário. Seu cuidado com toda a preparação e expectativa para o embate funciona e o público passa a conhecer os prós e contras para a hora da verdade. Sim, todos terão cartas na manga e todos estão propensos a cair, caso não estejam preparados. O maior pecado, no entanto, é a interpretação memorável de Frank Langella como o ex-presidente norte-americano Richard Nixon (merecidamente indicado ao Oscar) engolir todos os outros personagens. Ainda que seja a intenção do filme, Langella traz seu monstro para frente das câmeras e entrega uma persona ao mesmo tempo carismática e impiedosa. Nixon mostra-se superior ao longo de quase todo o filme, intensificando o sentimento de Davi do lado de David Frost. E assim como o público americano devia se sentir na época, é impossível não torcer pela queda do monstro frente ao pequeno apresentador de auditório. 

Nota: 8,0

Trailer:


5 Indicações ao Oscar:
-Filme
-Diretor
-Ator (Frank Langella)
-Roteiro Adaptado
-Edição

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A Alma de um Monstro

O (provável) Oscar de Kate Winslet.

O LEITOR
(The Reader; EUA/ALE; 2008)
Dir.: Stephen Daldry
Com Kate Winslet, Ralph Fiennes, David Kross, Lena Olin
2h03 min - Drama - 16 Anos



"O Diário de Anne Frank". Leitura obrigatória em uma das matérias do colégio em que frequentei. E, sempre que me deparo com um filme cujo tema relaciona-se com o Holocausto, o livro me volta à mente. Me marcou porque em meio a tanto caos, medo e desconfiança que cercam os personagens do livro, havia um amor marcante de uma adolescente. Algo de ingênuo e belo em meio ao apocaliptico.

E o filme começa justamente com Michael se lembrando do momento mais marcante de sua vida: Quando conheceu a oficial Hanna Schmitz. Se conhecem, se apaixonam e, apesar da diferença de idade, começam a se ver todos os dias após as aulas do rapaz. E em cada encontro, Michael lê um livro para entreter Hanna. Até que um dia Hanna se muda sem deixar vestígios. Os tempos passam e Michael descobre que Hanna foi presa e será julgada pelo seu envolvimento com os nazistas, colidindo com tudo aquilo que acredita.


"Quantas páginas você disse que esse livro tem?"

Todo Oscar tem seu indicado melancólico. "O Leitor" é o indicado de 2009. É um belo conto, muito bem estruturado, com atuações interessantes. Interessantes porque Kate Winslet está muito além e se encarrega de dominar as duas horas de projeção com uma interpretação assustadora e impressionante. Mas o filme peca um pouco por tentar ser muito esclarecedor, deixando o programa quase entediante. Saber sobre Holocausto é bagagem necessária para entender a intensidade do abalo que o julgamento causa sobre os protagonistas. A história de amor, forte nos primeiros 40 minutos (enfatizados pelas exageradas cenas de nudez), se faz presente, mas à medida em que o julgamento toma suas definições, o impacto nos personagens faz brilhar Winslet e deixa Fiennes ser esquecido. O mérito do filme é construir uma pessoa fria (Hanna), mostrar um belo mundo a ela e fazer com que a sua ingenuidade e a necessidade se tornem um castigo. Winslet deve levar o Oscar. Mas já foi injustiçada algumas vezes. Programa cult, indicado para os amantes do drama. Mas definitivamente poderia ser substituído entre os cinco finalistas do Oscar. 

Nota 7,0

Trailer:



5 Indicações ao Oscar:
-Filme
-Diretor
-Atriz (Kate Winslet)
-Roteiro Adaptado
-Fotografia

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Caretas Light

Não, não é uma outra versão de "O Mentiroso".

SIM SENHOR
(Yes Man; EUA, 2008)
Dir.: Peyton Reed
Com Jim Carrey, Zooey Deschannel, Rhys Darby, Terence Stamp
1h44 min - Comédia - 12 Anos

Quando Jim Carrey apareceu para o mundo, lá em 1993 com Ace Ventura, o cinema havia descoberto uma nova fonte de renda, em termos de comédias escrachadas pós-Jerry Lewis. Era algo bem diferente do que Eddie Murphy e cia. tinham como proposta. Era o mundo das caretas e roteiros amalucados novamente. Funcionou por um bom tempo. E Jim Carrey, com o passar dos anos resolveu sair da rotina e dizer "sim" à novas propostas. Apresentou excelentes filmes como "O Show de Truman" e  "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças", mas acumulou alguns vexames como "Número 23". Foram novas experiências que moldaram o ator. Fez bem para o currículo, mas em algum momento o Alarme soou, e Carrey voltou ao campo do pastelão. 

O filme retrata a nova experiência de Carl Allen, um gerente de empréstimos de um banco em Los Angeles que diz não à qualquer proposta que lhe aparece pela frente por ter como segurança maior a sua rotina. Mas depois de encontrar um velho amigo e participar de um seminário de auto-ajuda, ele faz um acordo com o palestrante (Terence Stamp, pagando as contas) que a partir daquele momento ele terá de dizer "sim" a qualquer proposta que lhe for feita.

"Festa Nerd do Harry Potter? Sim Senhor!"

Antes que você diga "é um 'O Mentiroso' ao contrário", lhe indico o filme por ser algo um tanto mais inteligente. As piadas do filme de 1999 continuam muito boas, mas a proposta aqui é mais coerente. Não tem nenhuma magia ou impedimento para que o personagem diga "sim" para tudo. É apenas um conceito de auto-ajuda levado ao extremo. E na pele de Carrey (onde suspeito que o papel tenha sido escrito para ele) o roteiro cai como uma luva e as piadas do filme funcionam bem. Principalmente nas festas do chefe nerd de Carl e em uma ou outra proposta bizarra que o filme oferece. Pode não ter mais aquela acidez ou originalidade de seus primeiros papéis, mas é genuíno. É é sempre bom ver Carrey de volta à ativa. Mesmo que em uma versão light.

Nota: 8,0

Trailer: