quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A Vida Como Ela é.

Você nunca verá algo igual a este filme.

Boyhood - Da Infância à Juventude
(Boyhood; EUA, 2014)
Dir.: Richard Linklater
Com Patricia Arquette, Eller Coultrane, Lorelai Linklater, Ethan Hawke
2h53min - Drama




Adoro o momento em que sobem os créditos. O fim da história e a invasão da tela preta, que permite uma reflexão sobre o que acabou de assistir. É um momento que chamo de "momento wow". Pode servir tanto para o caso de um "wow, que lixo de filme", quanto para um "wow...", que não precisa ter palavras para descrever o quão impressionado fiquei ao final da sessão.

Esse filme teve um belo e duradouro momento wow.

Boyhood acompanha a história de Mason, dos 6 aos 18 anos de idade. À medida em que o filme passa, vemos influências surgirem e momentos que poderão definir o caráter e moldar a personalidade de um futuro adulto. 

Caramba, como vocês cresceram....

O principal diferencial deste filme para os demais filmes sobre infância é que, para maior veracidade, o mesmo ator foi filmado ao longo de 12 anos, acompanhando o desenvolvimento físico e o situando num retrato fiel do seu crescimento, e principalmente, do mundo em que cresceu. São ícones como um iPod, ou uma música que marcou o ano de lançamento também ajudam a situar o espectador na época em que determinado trecho da infância de Mason se encontra.

Não espere por um filme que vai lhe mostrar o passo a passo do crescimento e os momentos marcantes da vida de uma criança/adolescente. Todos eles passarão pela vida de Mason, mas sem que precisem ser compartilhado com o público. O verdadeiro trunfo do filme na verdade, é poder acompanhar além do desenvolvimento físico do protagonista, conforme ele cresce rumo à adolescencia, o desenvolvimento da personalidade de personagem e como é influenciado por pessoas que entram e saem da sua vida com o passar dos anos. Assim como a vida, não há a necessidade de um grande clímax, mas a importância de desfrutar cada momento que um descreve como importante ou até mesmo crucial para si.

Em Boyhood, ainda pode-se notar a discussão sobre a gradual transição do mundo infantil, com uma visão pitoresca do que parece ser um estranho mundo dos adultos para, aos poucos, integrar esse mundo e deixar a infância para trás.

E ao longo do filme, a estranha duplicidade de ter o olhar de uma criança que enfrenta diferentes experiências, e ao mesmo tempo, poder ser um personagem onipresente, como um parente adotivo que acompanha o crescimento de Mason e a dolorosa sensação de que o tempo passa rápido demais.

Como filho que sou, pai que sou e como uma pessoa que teve uma infância com os mais diversos adjetivos que a descrevem, recomendo que assista a Boyhood. Facilmente, um dos melhores filmes de 2014.

Wow.



segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O fim do mundo.

O blog desiste oficialmente de Nicolas Cage (até segunda ordem)

O Apocalipse
(Left Behind; EUA, 2014)
Dir.: Vic Armstrong
Com Nicolas Cage, Chad Michael Murray, Lea Thompson
1h44 min - Drama - 12 Anos


Eu gosto de ver Nicolas Cage na telona. 

Ele já fez de tudo. Quem assistiu "A Rocha", "Adaptação" e "Despedida em Las Vegas", por exemplo, sabe do que ele é capaz de fazer. Quem viu "O Vidente", "O Motoqueiro Fantasma" e esse "O Apocalipse", também sabe que ele é capaz de fazer más escolhas.

Nicolas Cage interpreta Rayford Steele, piloto de avião com o casamento abalado, que após um melancólico encontro com sua filha no aeroporto, embarca para Londres em um vôo onde vai testemunhar em menor escala, um evento mundial onde pessoas de todo o planeta, sumirão em um piscar de olhos. Conhecido também como "Raptura". 

Aperte os cintos aí, porque a coisa vai ser braba...
Como não comento religião, por respeitar o direito de cada pessoa a ter suas crenças, vou falar apenas do que acontece em cena. 

Então vamos falar de "tensão", ou a completa falta de. 

Tensão se manifesta visualmente. No cinema, pode se obter tensão visual por efeitos visuais, que no filme são de muito mal gosto, quanto nas atuações dos atores. E se atuações podem elevar o patamar em filmes de baixo orçamento, aqui, novamente, a situação não ajuda. Nicolas Cage é apenas a desastrosa ponta de um iceberg de filme onde nenhuma - e nenhuma mesmo - atuação se salva. O que prejudica muito as cenas onde o clima deveria ser tenso.

Tensão também é som. E se os efeitos sonoros do filme são de qualidade, a trilha sonora, que em diversos momentos da história do cinema já se fez maior do que seus personagens, aqui simplesmente não parece se encaixar com o que vemos na tela. 

O resultado final, parece ser um filme ruim feito para a TV, que, por ser a adaptação de um best-seller, ganhou uma chance na tela grande e um ator consagrado para estampar o pôster.

Passe longe.




quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Viagem Insólita

Um dos melhores filmes de 2014, já disponível no Netflix.

Locke
(ING; 2014)
Dir.: Steven Knight
Com Tom Hardy, Ruth Wilson, Olivia Colman, Andrew Scott
1h24min - Drama


Se você gosta de filmes agitados, não precisa terminar de ler esse post.

O mesmo vale para o leitor claustrofóbico.

Mas se você não se enquadra em nenhuma das "categorias" acima, você está apto a assistir a um dos filmes mais interessantes e bem construídos do ano. Estou falando de Locke.

E Locke é um filme a ser evitado por os dois públicos citados, porque se trata de uma história muito boa, muito tensa e que se passa - integralmente - dentro de um carro.

O personagem-título, é um homem que cometeu um erro. E por conta desse erro, tomou uma decisão que lhe obrigará a fazer uma viagem de carro em direção à Londres, por uma hora e meia (o tempo do filme). E no caminho, resolverá algumas pendências por telefone.

Imagine se fosse no trânsito de São Paulo...

Acredite quando digo que este é um dos filmes imperdíveis de 2014. 

O primeiro motivo é o melhor que o filme tem: Tom Hardy. O ator que tem um repertório que trafega desde comédias bobinhas (Guerra é Guerra) a Vilões (Bane em O Cavaleiro das Trevas Ressurge), entrega uma das melhores interpretações do ano. Rico em trejeitos e tiques que ajudam a mostrar uma complexidade por trás da aparência calma de um homem que, em teoria, tem quase tudo sob controle. 

O enredo enxuto e bem amarrado faz a tensão emergir na tela à medida em que a situação vai se tornando sufocante para o protagonista, de acordo com as reações dos demais personagens que estão do outro lado das conversas telefônicas. E aqui vale destacar outro grande ponto do filme: As interpretações coadjuvantes, as quais não vemos - apenas ouvimos via speakers do carro - são, sem exceção, excelentes.

Extremamente bem dirigido, Locke ainda se completa por ser um filme com um visual elegante, utilizando sinais de trânsito, reflexos e desfoques de luzes de carro para pulsar um ambiente incontrolável e para afogar o personagem em informações visuais quando necessário - alusão ao turbilhão de emoções pelo qual passa durante todo o filme.

Se o tema central do filme é assumir o peso da responsabilidade pelas escolhas feitas, então a escolha de colocar o peso do filme no ator vale toda a experiência de assistir a Locke.



terça-feira, 7 de outubro de 2014

Tons Abaixo.

Mais do mesmo. E pior

Sin City: A Dama Fatal
(Sin City: A Dame To Kill For ; EUA/Chipre, 2014)
Dir.: Robert Rodriguez, Frank Miller
Com Mickey Roarke, Josh Brolin, Eva Green, Jessica Alba
1h42min - Thriller/ Ação - 18 Anos



Lá em 2005, quando Robert Rodriguez estava pirando trazer novas histórias a serem contadas de maneiras inovadoras no cinema, usando efeitos especiais nunca antes vistos, ele pegou a famosa HQ de Frank Miller, Sin City e fez um filmaço.

Violento, sensual e porque não, chocante, Sin City trouxe para a mesma tela muita gente boa, e contou quatro histórias da HQ, utilizando-se do estilo que Frank Miller usou e surpreendeu nas bilheterias e até nas críticas - O resultado foi tão bom que, copiando o mesmo estilo, 300, lançado no ano seguinte fez ainda mais dinheiro.

Mas ainda haviam histórias de Sin City que não haviam sido contadas. E uma delas, "A Dama Fatal", ganha um filme.

Querido, você bateu a cabeça?
O filme é mais do mesmo. A sensação que dá é que outro filme de sucesso no passado ganhou uma nova chance para garimpar uma bilheteria. Mas essa fórmula já está se provando falha. O visual do filme que há 10 anos era inovadora, já parece gasto (apesar de muito, muito trabalhosa para chegar ao resultado final) e depois de algum tempo assistindo, até cansativo de ver. O que se tem de qualidade na pós produção, falta em dinâmica de cenas.

No que diz respeito à história, muita nudez, muito falatório (ok, é um filme noir) e uma boa diminuição das cenas de ação/violência - característico da HQ. A história demora muito para evoluir e dá muitas voltas até entregar o que o público espera. Os atores, quase todos no piloto automático também parecem exaustos o que compromete muito seus personagens em suas respectivas sequências. É como se, numa reunião, os responsáveis estivessem separando os elementos que deram tão certo no primeiro filme e aplicassem à essa sequência, os elementos errados. 

E por fim, assistir ao primeiro filme não só é essencial para entender muita coisa da história, como assistir ao primeiro filme é muito melhor do que assistir ao segundo.

E oremos para que não vire uma trilogia...