Com Kaitlyn Dever, Rosemarie DeWitt, Ansel Elgort, Adam Sandler
1h59 min - Drama - 16 Anos
Jason Reitman parece ter trazido muito do talento de seu pai, Ivan Reitman, para seu trabalho.
Se o pai era sinônimo de filme engraçadíssimos e sucessos de bilheteria dos anos 80/90 (Os Caça-Fantasmas, Irmãos Gêmeos, Recrutas da Pesada - para citar alguns), o filho tem um olhar mais voltado para o drama. Sua curta, porém impressionante filmografia, trouxe pérolas realistas (e indicações ao Oscar), como "Juno" e "Amor Sem Escalas".
Mas o foco não é comparar. É falar do mais novo filme de Jason Reitman, "Homens, Mulheres e Filhos", onde histórias dentro de uma comunidade se cruzam. Personagens que são diretamente influenciados pela falta de diálogo entre si e pela intensidade em que a internet influencia suas vidas, o que acaba por servir de escape para fugirem de uma realidade que consideram dura demais.
"Oi, me manda uma vida no Candy Crush?"
O filme é um conjunto de pessoas buscando alguma forma de se conectar com as outras. Conexão que parece ser tão difícil em uma interação real com pessoas próximas ou então, estabelecer conexões virtuais com completos estranhos na qual se fala sobre detalhes pessoais. E como isso pode afetar aos que estão em presença física, logo ao seu lado.
Mas o verdadeiro brilho do filme está nas mãos suaves que o diretor emprega em temas delicados como solidão, depressão e frustrações. Mas principalmente, quando abre o dialogo sobre os diferentes e perigosos graus de exposição aos quais, Homens, Mulheres e Filhos estão dispostos a enfrentar na busca de tentar se conectar com alguém. Seja pelas diferentes redes sociais retratadas no filme, seja pela banalização do ato sexual ou pela simples fuga do medo de se sentir só ou excluído da sociedade.
Tudo isso traçando um paralelo belíssimo com a imagem "Pálido Ponto Azul" (e as reflexões de Carl Sagan sobre a fotografia) e à sonda Voyager, que leva conhecimento dos humanos a alguma sociedade estranha, que poderia estar em algum lugar do espaço.
No fim das contas, observamos uma documentação importante e muito interessante do retrato de uma geração que se esconde atrás de uma tela, para não encarar o medo de não ser olhado devidamente nos olhos.
Boyhood - Da Infância à Juventude (Boyhood; EUA, 2014) Dir.: Richard Linklater Com Patricia Arquette, Eller Coultrane, Lorelai Linklater, Ethan Hawke 2h53min - Drama
Adoro o momento em que sobem os créditos. O fim da história e a invasão da tela preta, que permite uma reflexão sobre o que acabou de assistir. É um momento que chamo de "momento wow". Pode servir tanto para o caso de um "wow, que lixo de filme", quanto para um "wow...", que não precisa ter palavras para descrever o quão impressionado fiquei ao final da sessão.
Esse filme teve um belo e duradouro momento wow.
Boyhood acompanha a história de Mason, dos 6 aos 18 anos de idade. À medida em que o filme passa, vemos influências surgirem e momentos que poderão definir o caráter e moldar a personalidade de um futuro adulto.
Caramba, como vocês cresceram....
O principal diferencial deste filme para os demais filmes sobre infância é que, para maior veracidade, o mesmo ator foi filmado ao longo de 12 anos, acompanhando o desenvolvimento físico e o situando num retrato fiel do seu crescimento, e principalmente, do mundo em que cresceu. São ícones como um iPod, ou uma música que marcou o ano de lançamento também ajudam a situar o espectador na época em que determinado trecho da infância de Mason se encontra.
Não espere por um filme que vai lhe mostrar o passo a passo do crescimento e os momentos marcantes da vida de uma criança/adolescente. Todos eles passarão pela vida de Mason, mas sem que precisem ser compartilhado com o público. O verdadeiro trunfo do filme na verdade, é poder acompanhar além do desenvolvimento físico do protagonista, conforme ele cresce rumo à adolescencia, o desenvolvimento da personalidade de personagem e como é influenciado por pessoas que entram e saem da sua vida com o passar dos anos. Assim como a vida, não há a necessidade de um grande clímax, mas a importância de desfrutar cada momento que um descreve como importante ou até mesmo crucial para si.
Em Boyhood, ainda pode-se notar a discussão sobre a gradual transição do mundo infantil, com uma visão pitoresca do que parece ser um estranho mundo dos adultos para, aos poucos, integrar esse mundo e deixar a infância para trás.
E ao longo do filme, a estranha duplicidade de ter o olhar de uma criança que enfrenta diferentes experiências, e ao mesmo tempo, poder ser um personagem onipresente, como um parente adotivo que acompanha o crescimento de Mason e a dolorosa sensação de que o tempo passa rápido demais.
Como filho que sou, pai que sou e como uma pessoa que teve uma infância com os mais diversos adjetivos que a descrevem, recomendo que assista a Boyhood. Facilmente, um dos melhores filmes de 2014.
O blog desiste oficialmente de Nicolas Cage (até segunda ordem)
O Apocalipse
(Left Behind; EUA, 2014)
Dir.: Vic Armstrong
Com Nicolas Cage, Chad Michael Murray, Lea Thompson
1h44 min - Drama - 12 Anos
Eu gosto de ver Nicolas Cage na telona.
Ele já fez de tudo. Quem assistiu "A Rocha", "Adaptação" e "Despedida em Las Vegas", por exemplo, sabe do que ele é capaz de fazer. Quem viu "O Vidente", "O Motoqueiro Fantasma" e esse "O Apocalipse", também sabe que ele é capaz de fazer más escolhas.
Nicolas Cage interpreta Rayford Steele, piloto de avião com o casamento abalado, que após um melancólico encontro com sua filha no aeroporto, embarca para Londres em um vôo onde vai testemunhar em menor escala, um evento mundial onde pessoas de todo o planeta, sumirão em um piscar de olhos. Conhecido também como "Raptura".
Aperte os cintos aí, porque a coisa vai ser braba...
Como não comento religião, por respeitar o direito de cada pessoa a ter suas crenças, vou falar apenas do que acontece em cena.
Então vamos falar de "tensão", ou a completa falta de.
Tensão se manifesta visualmente. No cinema, pode se obter tensão visual por efeitos visuais, que no filme são de muito mal gosto, quanto nas atuações dos atores. E se atuações podem elevar o patamar em filmes de baixo orçamento, aqui, novamente, a situação não ajuda. Nicolas Cage é apenas a desastrosa ponta de um iceberg de filme onde nenhuma - e nenhuma mesmo - atuação se salva. O que prejudica muito as cenas onde o clima deveria ser tenso.
Tensão também é som. E se os efeitos sonoros do filme são de qualidade, a trilha sonora, que em diversos momentos da história do cinema já se fez maior do que seus personagens, aqui simplesmente não parece se encaixar com o que vemos na tela.
O resultado final, parece ser um filme ruim feito para a TV, que, por ser a adaptação de um best-seller, ganhou uma chance na tela grande e um ator consagrado para estampar o pôster.
Jeff Bridges e Meryl Streep valem uma porcentagem do seu ingresso.
O Doador de Memórias (The Giver; 2014) Dir.: Phillip Noyce Com Brenton Thwaites, Jeff Bridges, Meryl Streep, Katie Holmes 1h37min - Ficção/Drama - 14 Anos
Se eu lhe pedir para que me liste histórias que contam sobre a busca por sociedades perfeitas, você pode me listar alguns. Futuros utópicos e distópicos, e você lista ainda mais títulos diferentes.
E são boas as chances dos títulos citados, serem de pelo menos, 8 anos para trás.
Os filmes futuristas andam em baixa. Para isso, alguns atrativos são necessários para chamar um público. Convocam um candidato a estrela de cinema para protagonizar a adaptação de um livro de bom apelo ao público jovem e como complemento, atores consagrados para dar peso e chamar o pessoal que não conhece a história. Capriche no trailer e vamos lá.
A história se passa numa sociedade que extraiu as emoções da população para que tudo possa ser controlado e assim progredir sem imprevistos. Os habitantes são analisados durante seu crescimento e então, na maioridade, desginados a cumprir funções de acordo com suas habilidades destacadas. Quando um deles se destaca em diversas habilidades simultaneamente, o que é raro, ele é designado a ser "O Guardião de Memórias", que aprenderá toda a verdade por trás da sociedade em que vive com o "Doador de Memórias".
Essa página não estava no meu roteiro...
Logo na capa do filme você vê Meryl Streep e Jeff Bridges. Grandes, ao fundo, porém com bom destaque. Exatamente como são no filme. Papéis coadjuvantes, de grande importância. Dois monstros do cinema americano que, obviamente dão um show de bola e engolem com facilidade todos os outros participantes no filme. E engole com requintes de crueldade, tamanha a disparidade da qualidade dos envolvidos. Faço leve exceção ao desconhecido Brenton Thwaites, que, esforçado como protagonista e companheiro de cena de Bridges, se coloca um nível acima dos demais.
O diretor de ação, Phillip Noyce, com um curriculo bacana (O Santo, O Colecionador de Ossos, Perigo Real e Imediato) faz um filme que segue um caminho relativamente previsível - até o tratamento de cores, indicando onde há e onde faltam emoções, não é novidade. Se conseguirmos deixar passar algumas problemáticas conceituais que acabam contradizendo as regras básicas da construção da história, "O Doador de Memórias" ganha da concorrência por uma leve vantagem.
Mas leve vantagem mesmo. E por conta dos atores já citados. Nada é muito apronfundado, e toda a apresentação dos personagens e do contexto é feito de forma apressada demais, evitando correr qualquer risco de deixar uma ponta solta para ter que ser explicado mais tarde. Em seguida, tudo segue uma cartilha rígida de direcionamento do espectador. Nada é o que parece ser, personagens que pareciam ser bonzinhos são muito cruéis ou se limitam a obedecer o comando para não se complicar. E para não haver qualquer questionamento, algumas cenas chocantes são inseridas (de forma um tanto surpreendente) no contexto. É talvez a mais sincera tentativa de conseguir extrair uma emoção de um filme que até então, teve muito pouco.
E o então aguardado final, chega num anti-clímax que poderá fazer com que muita gente saia decepcionado.
Com Christian Bale, Woody Harrelson, Zoe Saldana, Casey Affleck
1h56 - Drama - 16 Anos
Christian Bale já foi o Batman. Já foi um psicopata. Ja interpretou John Connor e até Demetrio, de Shakepeare. Ganhou um Oscar por interpretar um viciado em crack. Mergulha em seus personagens a ponto de se dispor a radicais transformações físicas (De "O Maquinista", para "Batman" em menos de um ano) para que suas interpretações fiquem ainda mais ricas.
Nesse "Tudo por Justiça", pode não ter ido tão longe na transformação física, mas, como já estamos ficando (mal?) acostumados, da um show de interpretação. E nesse caso, isso significa necessariamente, que ele é o maior e melhor ponto desta "grande pequena história".
Em meio a uma depressão econômica, Russell Baze e seu irmão mais novo, Rodney, sempre imaginaram ter vidas melhores do que trabalhar numa fábrica. Certo dia, numa imprevisível virada do destino, Russell é preso e seu irmão, agora veterano de guerra, busca perigosas lutas clandestinas, até o dia em que desaparece, fato que fará Russell, uma vez solto, arriscar sua liberdade, em prol de encontrar justiça pelo seu irmão.
Opa, olha um pato ali
Isso foi uma breve descrição do que encontrar em duas horas de projeção. Deixei muita coisa de fora. Parte para lhes proteger de spoilers mas também porque há um vasto número de subtramas - o pai doente, a namorada de Russell, o tio, o policial, o personagem de Willem Dafoe - o que acaba por abrir muita coisa para pouco tempo.
A história apresenta seus personagens com a calma e a riqueza em detalhes necessária para que cada decisão e razões sejam devidamente justificada até o seu melancólico - e previsível - final. E se Christian Bale é sinônimo de qualidade, todo o restante do elenco se mostra à altura, em especial, Woody Harrelson, que em meio a tantos papéis cômicos, aqui interpreta um vilão perigoso numa interpretação assombrosa, ainda que com tempo reduzido de tela.
Mas talvez um enredo tão recheado de subtramas (e tem muita coisa contada para duas horas de filme), acaba por ser vendida de forma equivocada. Quem espera um thriller de caça aos culpados, acaba encontrando um drama de belas atuações e com a tal busca por justiça encaixada na última meia hora. O que não é ruim, mas pode decepcionar muita gente.
Dificil mesmo, é conseguir se decepcionar com Christian Bale.
Inside Llweyn Davis - Balada de Um Homem Comum (Inside Llewyn Davis; EUA, 2013) Dir.: Ethan Coen e Joel Coen Com Oscar Isaac, Carey Mulligan, John Goodman, Justin Timberlake 1h45min - Comédia - 12 Anos
Defenda tudo o que ama. E defenda de todos.
Os Irmãos Coen, defendem muito bem. Seus filmes, ainda que diferentes uns dos outros, conseguem ter um estilo forte e característico de seu cinema. Como uma névoa estranha e sarcástica de personagens peculiares caminhando em histórias que, ao mesmo tempo em que beiram o non-sense, parecem se agarrar a uma dura realidade. E aqui, a realidade do protagonista Llewyn Davis não é apenas dura, como tragicômica.
Mas Llewyn Davis defende o que ama - a sua música. É um apaixonado inquieto pelo mundo em que vive. Busca o sucesso e a fama, mas sabe que o caminho para lá será tortuoso. Em meio a apresentações no Gaslight Café e dormir no sofá da casa de amigos, Llewyn enfrentará seus problemas com ironia e com a sua paixão.
Mas seria Llewyn o homem certo na hora errada?
Please, Mr Kennedy
Tudo e todos atiram contra o protagonista que se encontra numa maré de azar. Cada nova sequencia de eventos, parece bater na cara de Llewyn (em alguns casos, literalmente), interpretado brilhantemente por Oscar Isaac, que segue em frente, em busca de uma nova alternativa. É como se ele estivesse passivo e acomodado com a sua situação atual, mas com a certeza de que um dia a coisa irá engrenar.
A construção e evolução do filme é uma caminhada prazerosa, sem qualquer necessidade de resolução imediata. Os coadjuvantes são inseridos cirurgicamente em cada cena com diálogos precisos e na medida certa para o andamento do filme.
E assim segue a "balada" de Llweyn Davis. Pouco menos de duas deliciosas horas sobre a busca de um antiherói por algo além de 15 minutos de fama. A exposição de minuciosidades do homem comum, buscando uma jornada extraordinária se encaixa perfeitamente na filmografia dos Irmãos Coen, fazendo boa companhia a bons filmes realizados anteriormente por eles.
Com Joaquim Phoenix, Scarlett Johansson, Rooney Mara, Amy Adams
2h07 min - 14 Anos
Interessante observar as reações quando dizia às pessoas que "Ela", é um filme sobre um homem que se apaixona pelo sistema operacional do celular. Caras franzidas, espanto. A certeza de uma história estranha e que, talvez, forme um péssimo filme.
Adianto que o filme não é somente sobre isso. Vai além. Vai além, inclusive do que o trailer parece entregar.
Não se atendo apenas ao tempo onde o filme se passa, a Los Angeles futurista do filme, se mostra fria, superpopulada por pessoas que se aglomeram, mas não interagem entre si. Todas, no entanto, munidas de um aparelho com as quais interagem, pedindo musicas, informações, ou até mesmo, ocasionalmente, conversando com outras pessoas através do acessório.
Futurista?
E é neste cenário, que conhecemos Theodore Twombly (Joaquim Phoenix) Um homem consumido pela tristeza do fim de um casamento. E em meio à essa melancolia, trabalha escrevendo cartões comemorativos de pessoas reais. Ele é capaz de simular diferentes formas de emoção, sem ao menos ter um contato mais profundo do que meras informações registradas em um banco de dados.
Portanto, se apaixonar por Samantha, um sistema operacional, que faz exatamente isso, não parece ser algo tão fora do comum. Ou parece?
"Fala que eu te escuto, Scarlett"
Em mãos menos habilidosas, talvez o filme perdesse impacto. Poderia ser inundado de clichês e momentos piegas. Mas a verdade é que Spike Jonze tece com (muita) qualidade, uma história de amor inusitada, induzindo a plateia a se esquecer que, no fim das contas, Samantha é apenas voz. Culpa também, da surpreendente interpretação de Scarlett Johansson.
O filme também acerta quando fala da banalização do uso da tecnologia. É uma critica, bem disfarçada. As relações humanas se equiparam com à uma relação virtual e a relação de Theodore com a sua vizinha, Amy (Adams, pra variar, excelente), mostra bem isso. Você pode até torcer por uma relação entre os dois - até porque, fica explicita a importância do contato humano - mas a necessidade que Samantha tem de se desenvolver e de aprender o mundo humano é tamanha, que ao invés de causar espanto, causa empolgação aos protagonistas.
E ao fim, quando subirem os créditos, um sentimento incomodo poderá tomar conta de você. Provavelmente o fim de uma história de amor, que tenha simulado uma ampla variedade de sentimentos entre um homem e uma mulher, mas sob a ótica de um homem e uma maquina.
Com Jennifer Lawrence, John Hawkes, Isaiah Stone, Garret Dillahunt
1h40 min - Drama
Em algum momento da sua vida, você já viu este filme.
De forma diferente, talvez.
Ou em pior dos casos, pode até ter acontecido algo parecido com você.
Porque então, separar quase duas horas da sua vida para assistir a "Inverno da Alma"?
Fácil falar.
Se você já viu esta história antes, não viu sob este ponto de vista.
Sob esta direção.
E não era um filme com Jennifer Lawrence (indicada ao Oscar de melhor atriz). Ou com John Hawkes (indicado ao Oscar de ator coadjuvante).
"Meio frio aqui nesse cemitério, hein?"
Ree Dolly (Lawrence), é uma adolescente de 17 anos, que tem que cuidar de sua mãe doente, de seus dois irmãos e sustentar a casa onde vivem. Casa que foi colocada como garantia de fiança de seu pai, preso por envolvimento em tráfico de drogas. O problema é que seu pai está sumido e se ele não aparecer para o julgamento, o Estado tomará a casa de Ree.
E agora, com a ajuda de seu tio (John Hawkes, numa atuação assustadora) ela vai ter que encarar os inimigos de seu pai, para encontrá-lo a tempo de levá-lo a justiça, e assim assegurar o teto de sua família.
A tensão crescente, envolvida pelo silêncio perturbador, faz toda a diferença deste filme para àqueles que você já pode ter visto antes.
E porque a diretora Debra Granik, confia na inteligência do espectador, ocultando informações para que a dedução destas, acrescente e envolva o público.
Um filme independente, marcado por um roteiro forte e por atuações surpreendentes. Sem pirotecnias, sem exageiros ou extravagâncias.
Um filme repleto de imagens fortes e poucos diálogos.
Com Dev Patel, Irrfan Kahn, Freida Pinto, Anil Kapoor
2h00 min - Drama - 14 anos
Histórias de amor sempre tiveram um lugar seguro no cinema. São sempre diferentes abordagens, que vão desde a mais comum (a engraçadinha) até as histórias de amor impossíveis, onde os pombinhos devem romper barreiras sociais e transpor obstáculos difíceis em nome do amor. Há ainda, histórias de amor que se resolvem com o passar dos anos, mas que garantem o final feliz. O outro favorito ao Oscar de 2009, traz quase todos os requisitos acima, com uma dosagem forte de influências Bollywoodianas.
Jamal está apaixonado há muito tempo por Latika. E Jamal também está prestes a se tornar o mais novo milionário da Índia. Só que por ser um garoto pobre e de estar a uma resposta de quebrar e transpassar um sistema social rígido, Jamal está sob investigação de fraude no programa de Televisão "Quem Quer Ser Um Milionário". Mas ao contar as histórias de sua vida, que o levam a cada uma das respostas dada ao apresentador, tudo leva a crer que mais importante do que o dinheiro que pode cair nas mãos do garoto, é sua amada o reconhecer na TV e ir de encontro a ele.
"A saída é por ali..."
A verdade é que "Quem Quer Ser Um Milionário", é um filme fácil de gostar. Tem a história do amor impossível, tem os percalsos e as dificuldades de uma história de amor, que centralizadas um "vilão" sutil e em outros vilões menores que compõem a tumultuada vida do personagem principal. Mas tem o fantasma da pobreza e da violência consequente que persegue o protagonista por todo o tempo. O foco social está sempre presente e sempre direcionando cada uma das ações de cada personagem. E tem os momentos emotivos/engraçados para prender o espectador durante as duas horas de filme. O estilo visual forte de Danny Boyle (que há muito tempo não frequentava um filme bom) acentua positivamente no filme. Muito bem escrito, muito bem dirigido, mas principalmente, muito bem editado, deve ser a (não tão) surpresa do Oscar de 2009. Já faturou muitos prêmios no ano e vencer o maior deles no cinema seria a glorificação de um filme muito bem feito e que merece o reconhecimento do público. E Bollywood continua se aproximando do outro lado do mundo...
Com Sean Penn, Josh Brolin, James Franco, Emile Hirsch
2h08 min - Drama - 16 Anos
Gosto muito de filmes biográficos. Principalmente quando se trata de alguém desconhecido para mim. Não importa a causa, não importa o contexto, nem a nacionalidade. Apenas me dê uma biografia de alguém que nunca ouvi falar e me conte como que a sua história influencia no mundo de hoje. E aqui, temos um elenco brilhante, liderado por Sean Penn (um dos astros mais inteligentes e capacitados do cinema atual) em uma biografia de uma persona inédita. Pelo menos, para mim, inédita.
Penn interpreta Harvey Milk, ativista que foi decisivo na luta pelos direitos dos homossexuais até se tornar o primeiro congressista gay dos Estados Unidos. Até o seu assassinato no fim da década de 70. O filme foca na luta desde a mudança do personagem para San Francisco até sua ascenção como congressista americano, terminando no ano de seu assassinato. No meio do caminho, os relacionamentos turbulentos do personagem e como ele influenciou o cenário.
"Espera, o que você disse sobre o meu cabelo?"
Eu sei que já estou me tornando repetitivo. Já é o quarto post consecutivo que vou exaltar uma atuação. Mas falar de Milk e não citar a performance marcante de Sean Penn é o mesmo que falar de um jogo de futebol e não mencionar os times que jogam. Levou os prêmios de melhor ator em todas as premiações em que Mickey Rourke não levou. Dito isso, É necessário exaltar também o tremendo trabalho de direção por parte de Gus Van Sant. Eu estava com sérios problemas para aceitar seus trabalhos mais recentes (vastamente elogiados pela crítica) e aqui ele utiliza de seu estilo clássico que cai como uma luva para imprimir a pressão em que Harvey Milk sentia. Ainda para quem não sabia absoulutamente nada sobre o ativista (eu, por exemplo) consegue captar o tom aflitivo dos reprimidos, substituindo takes impressionistas ou frases de efeito por takes densos e visualmente comprimidos. Os coadjuvantes que tomam o filme de assalto (com menção principalmente a Josh Brolin como o adversário político Dan White), estão muito bem, cada um focado na diferente forma de influenciar o personagem principal. O desfecho entregue logo aos cinco minutos de filme só fazem por ajudar na crescente aflição até o triste climax, enaltecido pela trilha maravilhosa de Danny Elfman coroam um dos mais impressionantes filmes que você verá em 2009.
Com Frank Langella, Michael Sheen, Sam Rockwell, Kevin Bacon
2h02 min - Drama
Ron Howard pode ser um diretor que não divide da mesma fama de um Spielberg ou pertencente à mesma classe de um Coppola. Mas Ron Howard andou fazendo excelentes filmes. Seu verdadeiro talento no entanto, aparece quando lida com uma história verídica. Ganhou o Oscar por "Uma Mente Brilhante", colocou Tom Hanks no espaço em "Apollo 13" e agora relata o embate televisivo entre o ex-presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon e o apresentador-galã inglês David Frost.
O que foi planejado como um mero bate-papo, se torna na esperança de uma nação para ouvir um pedido de desculpas engasgado de um presidente recém-deposto. Se de um lado, Nixon está desfrutando suas férias forçadas, do outro, Frost busca patrocinadores, emissoras e aliados para fazer as entrevistas acontecerem. E o iminente confronto entre Davi e Golias está cada vez mais próximo, forçando a celebridade a deixar de lado as festas e se concentrar na enorme responsabilidade que arrumou.
"Puxe meu dedo..."
Durante as duas horas de duração, o diretor Ron Howard utiliza-se de seu talento para construir um embate belo e tenso, quase como uma luta de boxe, onde qualquer lado pode vencer a qualquer hora e por qualquer meio necessário. Seu cuidado com toda a preparação e expectativa para o embate funciona e o público passa a conhecer os prós e contras para a hora da verdade. Sim, todos terão cartas na manga e todos estão propensos a cair, caso não estejam preparados. O maior pecado, no entanto, é a interpretação memorável de Frank Langella como o ex-presidente norte-americano Richard Nixon (merecidamente indicado ao Oscar) engolir todos os outros personagens. Ainda que seja a intenção do filme, Langella traz seu monstro para frente das câmeras e entrega uma persona ao mesmo tempo carismática e impiedosa. Nixon mostra-se superior ao longo de quase todo o filme, intensificando o sentimento de Davi do lado de David Frost. E assim como o público americano devia se sentir na época, é impossível não torcer pela queda do monstro frente ao pequeno apresentador de auditório.
Com Kate Winslet, Ralph Fiennes, David Kross, Lena Olin
2h03 min - Drama - 16 Anos
"O Diário de Anne Frank". Leitura obrigatória em uma das matérias do colégio em que frequentei. E, sempre que me deparo com um filme cujo tema relaciona-se com o Holocausto, o livro me volta à mente. Me marcou porque em meio a tanto caos, medo e desconfiança que cercam os personagens do livro, havia um amor marcante de uma adolescente. Algo de ingênuo e belo em meio ao apocaliptico.
E o filme começa justamente com Michael se lembrando do momento mais marcante de sua vida: Quando conheceu a oficial Hanna Schmitz. Se conhecem, se apaixonam e, apesar da diferença de idade, começam a se ver todos os dias após as aulas do rapaz. E em cada encontro, Michael lê um livro para entreter Hanna. Até que um dia Hanna se muda sem deixar vestígios. Os tempos passam e Michael descobre que Hanna foi presa e será julgada pelo seu envolvimento com os nazistas, colidindo com tudo aquilo que acredita.
"Quantas páginas você disse que esse livro tem?"
Todo Oscar tem seu indicado melancólico. "O Leitor" é o indicado de 2009. É um belo conto, muito bem estruturado, com atuações interessantes. Interessantes porque Kate Winslet está muito além e se encarrega de dominar as duas horas de projeção com uma interpretação assustadora e impressionante. Mas o filme peca um pouco por tentar ser muito esclarecedor, deixando o programa quase entediante. Saber sobre Holocausto é bagagem necessária para entender a intensidade do abalo que o julgamento causa sobre os protagonistas. A história de amor, forte nos primeiros 40 minutos (enfatizados pelas exageradas cenas de nudez), se faz presente, mas à medida em que o julgamento toma suas definições, o impacto nos personagens faz brilhar Winslet e deixa Fiennes ser esquecido. O mérito do filme é construir uma pessoa fria (Hanna), mostrar um belo mundo a ela e fazer com que a sua ingenuidade e a necessidade se tornem um castigo. Winslet deve levar o Oscar. Mas já foi injustiçada algumas vezes. Programa cult, indicado para os amantes do drama. Mas definitivamente poderia ser substituído entre os cinco finalistas do Oscar.
Com Brad Pitt, Cate Blanchett, Julia Ormond, Taraji P. Henson
2h46 min - Drama - 12 Anos
Filmes biogáficos seguem duas vertentes: As biografias reais, geralmente feitas em cima de uma personalidade com um passado obscuro/polêmico/desconhecido. Você pode até não gostar do filme, mas acaba criando um certo respeito pela trajetória da mesma. E há as biografias fictícias, aquelas em que é preciso muito mais para conquistar a atenção do espectador. Precisa-se de algo tremendamente original. Ou o filme pode acabar no fundo das listas de fim de ano. Mas as histórias que conseguem ser originais, ah... Estas costumam acertar em cheio no gosto do público.
E a biografia fictícia da vez, é a história de Benjamin: Um bebê abandonado em um asilo no dia em que a primeira guerra terminou. Apresentava sintomas de um idoso à beira da morte, para gradativamente rejuvenescer, ao contrário de todos ao seu redor, que envelhecem normalmente. Lá, conhece Daisy, uma jovem que passava alguns dias no asilo com sua avó e que se encanta com Benjamin. Com o passar dos anos, o espírito aventureiro o leva ao redor do mundo e vivenciar experiências únicas. Até que seu caminho cruze novamente com o de sua amada.
"Mais uns 10 anos e acho que já rola umas mulheres..."
Tudo no filme é meticulosamente calculado. Tudo mesmo. O perfeccionismo é levado a um novo nível, desde a maquiagem (soberba), aos efeitos especiais e sobretudo os maneirismos e as magníficas interpretações de Brad Pitt e (em especial) de Cate Blanchett. O ritimo do filme é lento, para que possamos entender a moldagem da personalidade de Benjamin. As semelhanças com a trajetória de Forrest Gump (a saber: escrito pelo mesmo roteirista) pularão de imediato na tela, porque os coadjuvantes não aparecem gratuitamente. Todos eles influenciarão a vida do protagonista e mais cedo ou mais tarde refletirá em decisões pesarosas. O humor refinado do filme mercecia quase um novo tópico. E apesar das quase três horas de duração, a inusitante biografia de uma vida ao contrário se torna um programa obrigatório pela leveza de um filme que surpreende, emociona e cativa um público quase carente de histórias assim. E a pergunta que me assombrará por todo o ano de 2009: Qual filme fará frente ao Curioso Caso de Benjamin Button?
Meirelles choca a platéia... de novo. . ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA (Blindness; CAN/BRA/JAP, 2008) Dir.: Fernando Meirelles Com Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Gael Garcia Bernal, Danny Glover 2h00 min - Drama - 16 Anos .
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Ligar o computador, acessar o site, ler a crítica. Checar e-mail. Dirigir até o trabalho. Comer. Esta crítica até poderia começar a falar da importância da visão no dia-a-dia. Poderia citar exemplo de deficientes visuais que superaram obstáculos e venceram. Mas neste filme, o foco não deve ser este. Não pode ser. Não é mais um filme sobre a desconstrução do relacionamento humano, ou sobre vencer a vida. É um retrato cru do caos, da tirania e da (porque não?) esperança. Com uma São Paulo caótica de fundo e com atores internacionais estrelando uma história que não necessita nem de nomes para seus personagens.
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O filme começa com um cidadão ficando cego. Uma cegueira onde se vê tudo branco. E todos aqueles que entram em contato com eles também perdem a visão. Logo, uma epidemia que instala o pânico generalizado e força o governo a tomar medidas drásticas e isolar os contaminados. E no isolamento, são abandonados à sua própria sorte, com superlotação, comida escassa e sem quaisquer condições mínimas de higiene. O problema é que lá dentro, um grupo resolve controlar a distribuição de alimentos e esse desequilíbrio na "democracia" faça tiranos de uns e vítimas de outros. A vantagem das vítimas é justamente a personagem de Julianne Moore, a única que consegue ver.
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"Agora não amorzinho... não consigo dormir..."
Dizer que Meirelles é um diretor (muito, mas muito mesmo) acima de sua geração não é mais uma constatação assustadora. E nesta adaptação do premiado livro de José Saramago, a história não é diferente. Apoiado na câmera inquieta de César Charlone e na edição fantástica de Daniel Resende, o filme prende até mesmo o espectador mais incrédulo na cadeira, em especial, durante a sequência do isolamento dos cegos. E falar que sua capacidade de analisar minuciosamente os personagens e os ambientes só faz com que o filme fique mais rico e intrigante. Não é para os estômagos mais fracos, devido às cenas (fortes) de violência, estupro e das situações extremistas pelas quais os personagens passam ao longo do filme. As atuações, inspiradas ajudam a desenvolver o clima apocalíptico da trama. E destaque para Gael Garcia Bernal, como o "Rei da Ala 3". Tecnicamente, um filme perfeito. Em termos de história e de ritimo, o filme pode até pecar em alguns pontos, mas nada afeta a capacidade de Meirelles em contar uma história crua e sem restrições. É cinema de primeira qualidade. Com um brasileiro no comando.