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terça-feira, 13 de outubro de 2009

O Fruto da Paciência

A Guerra, segundo Tarantino

BASTARDOS INGLÓRIOS
(Inglorious Basterds; EUA/ALE, 2009)
Dir.: Quentin Tarantino
Com Brad Pitt, Christopher Waltz, Mélanie Laurent, Diane Kruger
2h33 min - Ação - 18 Anos


Tarantino é um devoto do cinema. Você pode não concordar com as altas doses visuais de violência, ou com os diálogos extensos e nem sempre politicamente corretos. Você pode até taxa-lo de insano se quiser. Mas tem de reconhecer a qualidade de produção e o emprego do bom perfeccionismo nos seus filmes e roteiros. E este "Bastardos Inglórios", não é nem de longe, exceção.

Um grupo de judeus americanos se juntam e se tornam os "bastardos". Esse pelotão se dedica a emboscar, capturar e torturar soldados nazistas durante à segunda guerra, sempre deixando um vivo, para que este espalhe a notícia de que nenhum soldado alemão está a salvo. A grande chance de pegar integrantes do alto escalão do Terceiro Reich acontece quando o pelotão é notificado da estréia de um filme nazista em um pequeno cinema de Paris.

"E aí? O que achou desse leitor?"

Aviso: Não espere um filme de combates, como um filme de guerra comum. É um filme de Quentin Tarantino. Haverá muitos diálogos, tiroteios e violência descarada. Na sua sétima incursão em longas-metragens, o diretor entrega um audacioso roteiro (com sua marca impressa em cada frame dos 153 minutos de duração), envolto em violência, referências cinematográficas riquíssimas (que vão dos westerns spaghettis de Sergio Leone à Cinderela), diálogos brilhantes e até um final inusitado para a segunda guerra mundial. Começa com um sufocante prólogo e aos poucos, o diretor apresenta sem pressa cada um dos personagens cruciais para o desenvolvimento da trama. Destaque para as atuações de Brad Pitt (seu personagem Aldo Raine é um dos mais engraçados já escritos pelo diretor) e principalmente Christopher Waltz, como o cruel e persuasivo Coronel Hans Landa (interpretação que lhe valeu prêmio em Cannes). Mantenho o aviso: Não é um filme de guerra comum. "Bastardos Inglórios" é um filme engraçado, insano e inegavelmente brilhante.

Nota: 10

Trailer:

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A Essência da Vida

A vida curiosa de um homem que rejuvenescia.

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON
(The Curious Case of Benjamin Button; EUA, 2008)
Dir.: David Fincher
Com Brad Pitt, Cate Blanchett, Julia Ormond, Taraji P. Henson
2h46 min - Drama - 12 Anos


Filmes biogáficos seguem duas vertentes: As biografias reais, geralmente feitas em cima de uma personalidade com um passado obscuro/polêmico/desconhecido. Você pode até não gostar do filme, mas acaba criando um certo respeito pela trajetória da mesma. E há as biografias fictícias, aquelas em que é preciso muito mais para conquistar a atenção do espectador. Precisa-se de algo tremendamente original. Ou o filme pode acabar no fundo das listas de fim de ano. Mas as histórias que conseguem ser originais, ah... Estas costumam acertar em cheio no gosto do público.

E a biografia fictícia da vez, é a história de Benjamin: Um bebê abandonado em um asilo no dia em que a primeira guerra terminou. Apresentava sintomas de um idoso à beira da morte, para gradativamente rejuvenescer, ao contrário de todos ao seu redor, que envelhecem normalmente. Lá, conhece Daisy, uma jovem que passava alguns dias no asilo com sua avó e que se encanta com Benjamin. Com o passar dos anos, o espírito aventureiro o leva ao redor do mundo e vivenciar experiências únicas. Até que seu caminho cruze novamente com o de sua amada.

"Mais uns 10 anos e acho que já rola umas mulheres..."

Tudo no filme é meticulosamente calculado. Tudo mesmo. O perfeccionismo é levado a um novo nível, desde a maquiagem (soberba), aos efeitos especiais e sobretudo os maneirismos e as magníficas interpretações de Brad Pitt e (em especial) de Cate Blanchett. O ritimo do filme é lento, para que possamos entender a moldagem da personalidade de Benjamin. As semelhanças com a trajetória de Forrest Gump (a saber: escrito pelo mesmo roteirista) pularão de imediato na tela, porque os coadjuvantes não aparecem gratuitamente. Todos eles influenciarão a vida do protagonista e mais cedo ou mais tarde refletirá em decisões pesarosas. O humor refinado do filme mercecia quase um novo tópico. E apesar das quase três horas de duração, a inusitante biografia de uma vida ao contrário se torna um programa obrigatório pela leveza de um filme que surpreende, emociona e cativa um público quase carente de histórias assim. E a pergunta que me assombrará por todo o ano de 2009: Qual filme fará frente ao Curioso Caso de Benjamin Button?

Nota: 10

Trailer:

Atualização:

13 Indicações ao Oscar:
-Filme
-Diretor
-Ator (Brad Pitt)
-Atriz Coadjuvante (Taraji P. Henson)
-Roteiro Adaptado
-Edição
-Fotografia
-Maquiagem
-Direção de Arte
-Figurino
-Trilha Sonora
-Efeitos Visuais
-Som

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Amadores e Profissionais

A volta dos Irmãos Coen no campo do (bom) sarcasmo.

QUEIME DEPOIS DE LER
(Burn After Reading; EUA/UK/FRA)
Dir.: Joel e Ethan Coen
Com George Clooney, John Malkovich, Frances McDormand e Brad Pitt
1h36 min - Comédia - 16 Anos

Para quem anda acompanhando o cinema recente, sabe que filmes dos irmãos Coen sempre trazem à tona temas conhecidos do público de um ponto de vista único. Mas a constante de seus filmes são sempre personagens aparentemente comuns, cometendo pequenos erros que causam consequências extravagantes. E sempre com uma mão precisa quando utilizam-se de sarcasmo. Depois de levarem quatro Oscar pelo excelente "Onde os Fracos Não Tem Vez", eles resolveram voltar ao sarcasmo puro.

O ex-agente da CIA, Osbourne Cox, é forçado a se aposentar e decide escrever suas memórias. O problema é que um CD com suas informações é encontrado em uma academia de ginástica por dois funcionários que, precisando de dinheiro, resolvem chantagear o espião em troca de uma boa bolada para resolverem seus problemas pessoais. 

"Cara, esse CD é da hora..."

Com um elenco estrelar, a história é cautelosamente estruturada para que nenhum dos personagens ganhe um plano acima de seus companheiros de cena. Todos são coadjuvantes. Todos estão empolgados e em grande forma. Destaque para as performances de George Clooney e Brad Pitt, mas em especial para John Malkovich, que consegue arrancar gargalhadas da platéia a cada quatro cenas que aparece. Mas todos eles, sem exceção fazem de "Queime Depois de Ler", um filme magnífico, repleto de diálogos hiláriantes, personagens caricatos, situações extraordinárias, e uma ou outra cena mais chocante no meio para que a história mantenha o misto de suspense e comédia que um filme dos Irmãos Coen pede. Não espere um final marcante ou surpreendente. Tenha como base a própria conclusão do último diálogo do filme. Ou não seria um filme dos irmãos Coen.

Nota: 9,5

Trailer: