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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Quem apanha e quem reage.

O VENCEDOR
(The Fighter; EUA, 2010)
Dir.: David O. Russell
Com Mark Wahlberg, Christian Bale, Melissa Leo, Amy Adams
1h55min - Drama


Filmes de boxe costumam a funcionar no cinema.

E boxe, é um esporte que, de certa forma, não impacta no espectador como algo possível de ser vivenciado. (A não ser, é claro, que o espectador seja, ao mesmo tempo, um lutador de boxe).

Eu, por exemplo, não sou um lutador de boxe. Mas assisti a muitos filmes sobre o esporte, que conseguiram cativar o espírito de luta que existe em cada um de nós, e que funcionaram como filme autobiográfico, ou como filme ficcional.

Deu muito certo com Rocky (esqueça o Rocky 5), Menina de Ouro, Touro Indomável, Ali...

E funciona muito bem também, com este "O Vencedor", indicado a 7 Oscars, e provável vencedor de dois.

Um para Christian Bale. Outro para Melissa Leo. Mas eu posso estar me antecipando.

"Quantos dedos tem aqui?"

O filme conta a história (real) do boxeador Micky Ward, lutador peso médio, pobre, simples, que tinha no boxe a única forma de ganhar um bom dinheiro, fora de seus pequenos bicos, trabalhando pela comunidade local.

Sua agente, era a própria mãe (Melissa Leo), que primeiro pensava no retorno financeiro, e depois na segurança de seu filho.

Seu treinador, era o irmão, Dicky Eklund, ex-boxeador, costumava a ser o orgulho da região, até se afundar no vício do crack. Ainda acredita que voltará a ser um grande lutador.

De forma bem concisa, o diretor David O. Russell, envolve seu espectador e o convida a conhecer cada um dos personagens centrais da trama. Seja em momentos de bom humor, seja em momentos onde a raiva dos personagens com a vida parece permear a tela e transpassar ao espectador.

Quando as feridas expostas de cada um destes personagens vem à tona, são momentos onde o diretor acerta em cheio, com cuidado para não virar um filme sobre boxe, mas sobre boxeadores e o meio onde onde vivem.

E como o meio que constrói, pode ser o mesmo que destrói.

Basta apenas "ter cabeça", saber escolher e saber levantar.

(Nota: 9,0)

Trailer:


Indicado a 7 Oscars:
Melhor Filme
Melhor Diretor (David O. Russell)
Melhor Ator Coadjuvante (Christian Bale)
Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Adams)
Melhor Atriz Coadjuvante (Melissa Leo)
Melhor Roteiro Adaptado
Melhor Edição

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Uma Imagem e as Mil Palavras

INVERNO DA ALMA
(Winter's Bone; EUA, 2010)
Dir.: Debra Granik
Com Jennifer Lawrence, John Hawkes, Isaiah Stone, Garret Dillahunt
1h40 min - Drama




Em algum momento da sua vida, você já viu este filme.

De forma diferente, talvez.

Ou em pior dos casos, pode até ter acontecido algo parecido com você.

Porque então, separar quase duas horas da sua vida para assistir a "Inverno da Alma"?

Fácil falar.

Se você já viu esta história antes, não viu sob este ponto de vista.

Sob esta direção.

E não era um filme com Jennifer Lawrence (indicada ao Oscar de melhor atriz). Ou com John Hawkes (indicado ao Oscar de ator coadjuvante).

"Meio frio aqui nesse cemitério, hein?"

Ree Dolly (Lawrence), é uma adolescente de 17 anos, que tem que cuidar de sua mãe doente, de seus dois irmãos e sustentar a casa onde vivem. Casa que foi colocada como garantia de fiança de seu pai, preso por envolvimento em tráfico de drogas. O problema é que seu pai está sumido e se ele não aparecer para o julgamento, o Estado tomará a casa de Ree.

E agora, com a ajuda de seu tio (John Hawkes, numa atuação assustadora) ela vai ter que encarar os inimigos de seu pai, para encontrá-lo a tempo de levá-lo a justiça, e assim assegurar o teto de sua família.

A tensão crescente, envolvida pelo silêncio perturbador, faz toda a diferença deste filme para àqueles que você já pode ter visto antes.

E porque a diretora Debra Granik, confia na inteligência do espectador, ocultando informações para que a dedução destas, acrescente e envolva o público.

Um filme independente, marcado por um roteiro forte e por atuações surpreendentes. Sem pirotecnias, sem exageiros ou extravagâncias.

Um filme repleto de imagens fortes e poucos diálogos.

Um filme como há muito tempo não via.

Um filme que você deveria assistir.

Nota: 8,5

Trailer:


Indicado a 4 Oscars:
-Melhor Filme
-Melhor Atriz (Jennifer Lawrence)
-Melhor Ator Coadjuvante (John Hawkes)
-Melhor Roteiro Adaptado

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Reerguendo Carreiras

O (provável) Oscar de Mickey Rourke

O LUTADOR
(The Wrestler; EUA, 2008)
Dir.: Darren Aronofsky
Com Mickey Rourke, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Ernest Miller
1h55 min - Drama - 18 anos


Um ator pode ficar marcado por um personagem. Uma interpretação inspirada, reconhecida, e a partir daquele momento todos lembrarão do personagem que irá estereotipar o ator pelo resto de sua carreira. Ou há casos onde o personagem procura seu intérprete perfeito. Ele existe e tudo o que resta é o roteiro aterrisar sobre a mesa do ator. Ano passado, o personagem era Randy "The Ram" Robinson. O ator é Mickey Rourke. E o encontro se deu num filme espetacular, chamado "O Lutador".

Randy "The Ram" Robinson era um lutador de luta livre famoso e vencedor. Conhecido em todos os EUA (onde o esporte, digamos, é muito bem conhecido) e campeão, atraíndo sempre multidões nas arenas das mais perigosas lutas. Ele era. A idade chegou para ele e os problemas decorrentes da idade e do consumo abusivo de drogas encontraram The Ram, e agora ele terá de escolher entre viver uma vida comum e pacata, onde terá de reencontrar suas raízes e adimitir seus erros com sua filha ou se arriscar até o fim na arena.

"Wow... preciso maneirar na bebida..."

Mickey Rourke é The Ram. The Ram é Mickey Rourke. Um personagem que está literalmente o tempo todo na tela e que a câmera inquieta de Darren Aronofsky força o espectador a assitir todos os momentos de dor e decepção de um homem que é forçado a deixar a luta fantasiosa e combinada dos ringues, pela imprevisível de ser um cidadão comum. Desde que Jamie Foxx trouxe Ray Charles ao cinema que eu não me impressionava tanto com uma interpretação tão realista e densa. Um personagem que se recusa a sucumbir na pressão de um trabalho estranho e de ter a única filha distante de sua vida. 

E o filme? Não se preocupe, é um filmaço. Mas como as duas horas de projeção ficam em torno de Rourke, não acho que você lembrará de muitas outras coisas. Apenas do Lutador. E da cena do supermercado.

Nota: 9,5

Trailer:



2 Indicações ao Oscar:

-Ator (Mickey Rourke)
-Atriz Coadjuvante (Marisa Tomei)