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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

O Melhor de 2014

O ano de 2014 acabou.

Um ano com muita coisa boa nos cinemas. É claro que não dá para assistir a tudo o que se quer ver, seja por tempo, seja por pouca distribuição ou até mesmo por localização.

Mas do que vi e gostei, aqui estão os meus 10 filmes preferidos, dos que foram lançados no Brasil no ano passado.



10
Locke


Muito mais do que um homem dirigindo e falando ao telefone.



09
Nebraska


Um sensacional road movie. A melhor surpresa de 2014.





08


Não assista com fome.



07
Garota Exemplar



Você não sabe em quem acreditar.



06


Um quebra-cabeça de torcer o cérebro.




05


Só os Irmãos Coen poderiam realizar este filme.




04


Wes Anderson apresenta seu mais meticuloso filme.




03

"Tudo é Incrível"



02
O Abutre



Um Homem que se satisfaz com o seu desastre.




01


Um filme magnífico precisa de 12 anos para ficar pronto.





Menções Honrosas:

Marvel
2014 trouxe os dois melhores filmes da marca até agora: Guardiões da Galáxia e Capitão América 2.

Interestelar
Christopher Nolan foi para o espaço.

Ela
Spike Jonze conta muito mais do que um simples romance entre um homem e seu celular.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Virtuosa Virtualidade

Spike Jonze e o Amor

Ela
(Her; EUA, 2013)
Dir.: Spike Jonze
Com Joaquim Phoenix, Scarlett Johansson, Rooney Mara, Amy Adams
2h07 min - 14 Anos


Interessante observar as reações quando dizia às pessoas que "Ela", é um filme sobre um homem que se apaixona pelo sistema operacional do celular. Caras franzidas, espanto. A certeza de uma história estranha e que, talvez, forme um péssimo filme. 

Adianto que o filme não é somente sobre isso. Vai além. Vai além, inclusive do que o trailer parece entregar.

Não se atendo apenas ao tempo onde o filme se passa, a Los Angeles futurista do filme, se mostra fria, superpopulada por pessoas que se aglomeram, mas não interagem entre si. Todas, no entanto, munidas de um aparelho com as quais interagem, pedindo musicas, informações, ou até mesmo, ocasionalmente, conversando com outras pessoas através do acessório.

Futurista?

E é neste cenário, que conhecemos Theodore Twombly (Joaquim Phoenix) Um homem consumido pela tristeza do fim de um casamento. E em meio à essa melancolia, trabalha escrevendo cartões comemorativos de pessoas reais. Ele é capaz de simular diferentes formas de emoção, sem ao menos ter um contato mais profundo do que meras informações registradas em um banco de dados.

Portanto, se apaixonar por Samantha, um sistema operacional, que faz exatamente isso, não parece ser algo tão fora do comum. Ou parece?

"Fala que eu te escuto, Scarlett"
Em mãos menos habilidosas, talvez o filme perdesse impacto. Poderia ser inundado de clichês e momentos piegas. Mas a verdade é que Spike Jonze tece com (muita) qualidade, uma história de amor inusitada, induzindo a plateia a se esquecer que, no fim das contas, Samantha é apenas voz. Culpa também, da surpreendente interpretação de Scarlett Johansson.  

O filme também acerta quando fala da banalização do uso da tecnologia. É uma critica, bem disfarçada. As relações humanas se equiparam com à uma relação virtual e a relação de Theodore com a sua vizinha, Amy (Adams, pra variar, excelente), mostra bem isso. Você pode até torcer por uma relação entre os dois - até porque, fica explicita a importância do contato humano - mas a necessidade que Samantha tem de se desenvolver e de aprender o mundo humano é tamanha, que ao invés de causar espanto, causa empolgação aos protagonistas. 

E ao fim, quando subirem os créditos, um sentimento incomodo poderá tomar conta de você. Provavelmente o fim de uma história de amor, que tenha simulado uma ampla variedade de sentimentos entre um homem e uma mulher, mas sob a ótica de um homem e uma maquina.