segunda-feira, 6 de julho de 2009

Evolução das espécies

Maior e Melhor. Diversão garantida.

A ERA DO GELO 3
(Ice Age: Dawn of the Dinosaurs; EUA, 2009)
Dir.: Carlos Saldanha
Com as vozes de Ray Romano, John Leguizamo, Denis Leary, Queen Latifah
1h 34 min - Comédia/Animação - Livre


A Fox nunca entrou pesado no conturbado mercado de animações. Com filmes mais (digamos...) simples e se concentrando nas histórias, conseguiu captar seu público fiel. A estratégia para entrar foi simples. Girou em torno de um esquilo e sua noz. Em um teaser sensacional, que depois descobrimos ser a abertura do filme. E quando o filme passou, Scrat (o esquilo) era apenas um coadjuvante. Mas que aparecia sempre quando o filme precisava de uma injeção de ânimo ou de uma nova guinada na história. Deu certo. Deu duas sequências. A terceira parte abocanhou a liderança de bilheteria nos EUA e no Brasil (desbancando Transformers).

No novo capítulo, Manny, o mamute está para ser pai. Isso desperta o instinto maternal/paternal na preguiça Sid, que ao encontrar três ovos de seu tamanho, decide cria-los. O que o bando não fazia idéia, é de que os ovos pertencem a um tiranossauro, que vive junto a uma sociedade de dinossauros debaixo da camada de gelo onde se passaram as duas histórias anteriores. O tiranossauro então, busca os ovos e acaba levando Sid junto. O grupo agora terá de descer ao novo mundo para resgatar seu amigo falastrão.

"Não, eu não vi a sua noz..."

Seguindo a cartilha das sequências inteligentes, e levando a idéia do "maior e melhor" ao pé da letra, o terceiro capítulo se apresenta como o melhor. De longe. Um tamanho cuidado com a história quanto com a animação, "A Era do Gelo 3", é de fato a evolução de sua espécie. As piadas agora satisfazem adultos e crianças (muitas delas apenas para adultos), a história não descamba para momentos sensíveis ou tristes. As gags tomam uma sequência inacreditável, que faz o filme decolar. Mesmo que acredite que seja previsível, temos de reconhecer o abismo entre as produções anteriores. E a presença de Scrat, com uma disputa saudável pela noz. A iminente aparição de fêmea da sua espécie, que brigarão pela noz até... Bem. Sem spoilers. Valeria o ingresso simplesmente pelo sensacional tango que os dois dançam na disputa. Mas a história e o humor rivalizam pela primeira vez com o esquilo. Vale vários ingressos.

Nota: 8,5

Trailer:

Crise Econômica

O mau corte de gastos.

TRANSFORMERS: A VINGANÇA DOS DERROTADOS
(Transformers: Revenge of The Fallen; EUA, 2009)
Dir.: Michael Bay
Com Shia LeBeouf, Megan Fox, John Turturro, Josh Duhamel
2h 30 min - Ação - 12 anos


Em 2007, tive de defender a duras penas o meu gosto pelo filme Transformers. Era um filme que, apesar de forçado, respeitava seu público-alvo: Espectadores que queria cenas intensas de ação, combinadas com efeitos sonoros e visuais incríveis. Foi realmente um "filme de temporada" como o público merecia. E a sequência viria, não só pelo desfecho, mas pela máquina de dinheiro que a franquia tinha se mostrado: Uma das 5 maiores bilheterias em um ano com Homem-Aranha, Shrek e Harry Potter. Mas entre Julho de 2007 e Julho de 2009, uma crise econômica que assola o planeta e afetou praticamente todos os setores de produção. Inclusive o cinema.

Na sequência, Sam vai para a faculdade e acaba encontrando um pedaço do "Cubo": Uma fonte de energia, capaz de criar os Transformers. Fallen, um vilão mais poderoso do que Megatron, decide mandar novos robôs à Terra, para rastrear e obter este pedaço para recriar seu exército e se vingar de Optimus Prime e os Autobots. Ah, antes que me esqueça, Os transformers já existiam antes mesmo da nossa existência e teriam escondido uma arma poderosíssima em algum lugar do planeta.

"Corre, que agora vamos ter que fazer o terceiro..."

O que parece ter sido perdido durante a transição, foi justamente o que o público esperava ver: Grandes cenas (em quantidade e qualidade) de ação, com a natural evolução que uma sequência pede, com robôs melhores. Mas a produção optou por aumentar as piadas e encurtar a ação. Não me entendam errado, o filme tem suas boas piadas, mas pensar em segurar um filme de ação com duas horas de comédia chega a ser bizarro. A grande sequência inicia o filme, a segunda boa vem lá com uma hora. E o confronto final, no meio do deserto (o que acredito ter economizado bons valores), chega a ser uma piada. A história? Um insulto. Uma perda incrível de tempo e um insulto. Os robôs? Mais do mesmo. Mas o verdadeiro crime foi diminuir toda a vontade do seu público de ver o robô Bumblebee participar de uma ínfima cena (com menos de 5 minutos) perdida em meio à sequência final. Não vou nem comentar sobre o tamanho da participação dos militares, que tiveram seu espaço no filme original. Preferia uma história mais simples, como uma vingança clichê por parte do antagonista do filme original, Megatron. A destruíção característica do diretor Michael Bay foi cortada, mas ele pode manter seus takes mirabolantes. O público perdeu. Fico com o primeiro filme.

Nota: 5,0

Trailer:

domingo, 14 de junho de 2009

Longe da salvação

Christian Bale deu um chilique no set por conta disso...

O EXTERMINADOR DO FUTURO: A SALVAÇÃO
(Terminator Salvation; EUA, 2009)
Dir.: McG
Com Christian Bale, Sam Worthington, Bryce Dallas Howard, Anton Yelchin
1h55 min - Ação - 14 anos



Quando James Cameron fez Arnold Schwarzenegger soltar o famoso "I'll Be Back", mal ele sabia o que ele havia criado. O primeiro filme, foi uma bela surpresa. O segundo um clássico do cinema contemporâneo e de longe, o melhor da saga. O terceiro, um completo desastre. Mas como ddeixar uma franquia milionária em suspensão? Sem o "governator" no poster, a idéia inicial de "Exterminador 4" era dar novas caras (o operário-padrão do momento Christian Bale, por exemplo) e ressaltar aquele apocalíptico que até então vimos apenas em flashbacks. Ou se preferir, passar o espanador nos cenários do Mad Max.

A história, passada depois do domínio da Skynet, traz John Connor consolidado como líder da resistência humana às voltas com uma nova tecnologia que seria capaz de controlar as maquinas. Mas no meio do caminho, o garoto Kyle Reese (que seria crucial para a existência de Connor) foi capturado pelo inimigo, e com a ajuda de Marcus Wright, um homem misterioso, eles terão de efetuar o resgate do garoto e colocar um fim à ameaça.

"Esse Octopus é mesmo muito interessante..."

O filme só não consegue ser mais desastroso, porque promete o que cumpre: Cenas de ação de cair o queixo. A primeira sequência, em especial estabelece as condições em que os heróis do filme estão, e o nível de perigo que os vilões oferecem. E mais, a tecnologia estaria em um nível sufocante e letal para a resistência. Com isso dito, é necessário dizer que em meio as inacreditáveis falhas no roteiro, e a história besta, o filme se preocupa tanto em prestar homenagens aos filmes anteriores que parece se esquecer de entreter o público atual. O que poderia ser a grande reviravolta da história, é vendida logo no trailer final e portanto, enfraquecida durante a sessão. Se espera explosões, tiros e muita destruição, vá em frente. Se espera um capítulo digno de dar continuidade ao clássico "T2", junte-se ao clube...

Nota: 6,0

Trailer:

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Jogo de Espiões

Julia Roberts e Clive Owen tentarão enganar a todos...

DUPLICIDADE
(Duplicity; EUA, 2009)
Dir.: Tony Gilroy
Com Julia Roberts, Clive Owen, Tom Wilkinson, Paul Giamatti
2h05 - Comédia - 14 anos


A máxima de que grandes astros fazem bons filmes, tem se mostrado em baixa nos últimos anos. Eu, particularmente, discordo. Penso que bons roteiros, fazem bonfilmes. Os astros influenciam, sem dúvida, mas vamos com calma. Astros inspirados ou astros à vontade se encaixam e o bom filme sai. "Duplicidade" tem o plano perfeito: Uma trama esperta, um trailer engraçado e bons atores à frente. O casal principal tem a química que consagrou o filme "Closer - Perto Demais" (ainda que você não se sinta tão entusiasmado com este excelente filme). O que poderia dar errado?

Claire (Julia Roberts, com sono) trabalha de espiã para uma multinacional de produtos de higiene pessoal. Ray (Clive Owen, empolgado até demais) trabalha como espião para a empresa rival. Uma delas tem um novo segredo que será lançado ao mercado em breve. O que ninguém sabe (a não ser você, espectador), é que Claire e Ray são amantes e pretendem dar um golpe e faturar uma bolada com o tal segredo. Se não fosse o fato de um não confiar no outro.

"Não consigo sorrir mais do que isso..."

E então, o que poderia dar errado? Bem, as coisas não dão errado, propriamente dito. Mas o problema de "Duplicidade" é que a trama quer ser mais complexa do que ela deveria ser. é divertido ver o casal com a falta de confiança um no outro, mas tudo se estende ao ponto de você começar a sacar o que virá a seguir. As reviravoltas se tornam previsíveis e o filme perde um pouco de sua força. O diretor Tony Gilroy (do excelente "Conduta de Risco") acerta mais com seus coadjuvantes (sem mencionar na excelente sequencia dos créditos iniciais, onde a rivalidade das empresas é estabelecida sem precisar de uma fala) do que com seus atores principais. Roberts parece atuar certa de que o filme será um sucesso, ao passo de que Owen se mostra apto a fazer de tudo para que isso aconteça. A atmosfera "cool" funciona melhor na trilogia "Onze Homens e Um Segredo". Mas é divertido, sem dúvidas.

Nota: 7,5

Trailer: