segunda-feira, 19 de maio de 2014

Um ator e seu filme.

Jude Law com o filme no bolso.

A Recompensa
(Dom Hemingway; Inglaterra, 2013)
Dir.: Richard Shepherd
Com Jude Law, Richard E. Grant, Demián Bichir, Emilia Clarke
1h35min - Comédia - 18 Anos


Há filmes que fazem a carreira de um ator. E há atores, que fazem a carreira de um filme. Não que o primeiro caso, seja o caso de Jude Law. Até por que, a esse ponto, sua carreira já é consolidada o suficiente para que ele faça a carreira de um filme.

Portanto, pode-se dizer que estamos citando o segundo caso, pois Jude Law é de longe, a melhor coisa desse filme. O que não faz com que o filme seja ruim - pelo contrário - mas a sua interpretação potente e visceral, agrega ainda mais qualidade a esse filme que apenas parece ser um pequeno filme.

E Jude Law, interpreta Dom Hemingway - do título original - que após 12 anos encarcerado, ganha a sua liberdade e agora, pretende ir atrás de sua recompensa - do título em português - por ter ficado calado durante todo esse tempo preso. Dom também precisa recuperar o tempo perdido e tentar se reaproximar de sua filha, hoje, uma adulta e com família formada.

Cara, depois você coloca de volta na parede?

Mais do que um filme de gângsters ou de roubos, esse filme centra na reintegração de um homem impetuoso e indomável na sociedade que ele tanto busca desorganizar. Graças ao carisma e força deste protagonista, não será difícil torcemos pelo ladrão, porque o ladrão tem muito mais coração do que maldade. 

Muito humor ácido e trocas ágeis de diálogos irreverentes, entregues com a devida empolgação, caracterizam o filme e dão um perfeito contraponto para as sequências em que Dom tenta se aproximar de sua filha. A utilização de cores fortes e dos elementos visuais que complementam as cenas (característico do diretor),  intensifica para o espectador o universo eufórico em que o personagem principal vive. 

E para completar, espere algumas viradas interessantíssimas na trama. Evitem assistir a qualquer material promocional sobre esse filme, pois eles entregam muitas das boas cenas encontradas nos 94 minutos de projeção.

No demais, recline-se na cadeira e aproveite o show.



segunda-feira, 5 de maio de 2014

A Boa Intenção

Melhor e mais divertido que o primeiro.

Rio 2
(EUA; 2014)
Dir.: Carlos Saldanha
Com as vozes de Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Andy Garcia, Jamie Foxx
1h41 min - Animação/Aventura - Livre





Onde há animação, há um público cativo. E há também, boa bilheteria, na maioria dos casos. 

Em 2011, a Blue Sky lançou "Rio". Um filme com uma proposta muito bacana em um veículo apropriado para uma mensagem sobre a preservação da natureza, com belo visual, mas que acabou descambando para um filme repleto de estereótipos manjados e piadas bobinhas.

Se onde há animação, há um público cativo e consequentemente, boa bilheteria, também haverá (ao menos) uma inevitável continuação.

E três anos depois do original, Rio 2 (que no Rio mesmo, são apenas 10 minutos de filme), leva a aventura para a Amazônia, depois que a (agora) esposa de Blu, descobre que há outras araras azuis vivendo livremente na Amazônia e desperta um desejo de entrar em contato com suas raízes. Especialmente quando seus filhotes estão crescendo e perdendo seus instintos naturais, para as facilidades de uma vida na cidade.

Tá bonito isso aqui, hein?

O filme segue direitinho a cartilha de continuações para o cinema: Aumenta o número de personagens, check. Mantém os coadjuvantes engraçadinhos na história, para evitar perder audiência, check. Evolui a história dos personagens principais, check. E assim vai, com muitos outros "checks"...

Talvez até por isso, Rio 2 é um filme melhor de ser assistido do que o original. As piadas foram notavelmente melhoradas, apesar de previamente conhecidas. Principalmente as que dizem respeito à vida de casados e sobre conhecer a família da noiva/esposa, feitas sob encomenda para os pais que acompanham os pequenos na sessão.

Pequenos que certamente vibrarão com o belíssimo visual colorido e rico em detalhes (um dos pontos compartilhados com o original de 2011), com os bons números musicais espalhados pelo filme (fiquei cantarolando a última por algumas horas depois da sessão) e com algumas comédias físicas que também fazem parte desse tipo de filme.

Mas a impressão que passa, ao acender das luzes, é que a real mensagem do filme está direcionada aos pais, disfarçado de diversão infantil. O que não é ruim, mas deixa a sensação de que todo o espetáculo, de uma forma geral, poderia ter sido melhor aproveitado.



terça-feira, 22 de abril de 2014

Belo Upgrade

Prepare-se para gostar do Capitão América.

Capitão América 2 - O Soldado Invernal
(Captain America - The Winter Soldier; EUA, 2014)
Dir.: Antony Russo e Joe Russo
2h15min - Ação - 14 Anos


Nunca fui muito fã do Capitão America. Sempre achei muita patriotada para pouco conteúdo. Apesar de nunca ter lido uma HQ dele, achei o filme antecessor, "O Primeiro Vingador", muito ruim e deixou aquela sensação de ser um produto feito às pressas para estabelecer as historias bases para "Os Vingadores".

Portanto, entrar no cinema para ver a sequência do personagem mais chato do grande produto da Marvel no cinema não era das tarefas mais animadoras.

Nesta segunda empreitada solo do Capitão, ele tem que desvendar um plano secreto da HIDRA, agência maligna descoberta no primeiro filme, que pode estar por trás de uma serie de assassinatos, cometidos por um mercenário conhecido como O Soldado Invernal, que pode ter importante relação com o passado do Capitão, enquanto este, tenta se adaptar ao mundo moderno.

Ei. Você fez chapinha?
No fim da sessão e de queixo caído, demorei para adimitir que tinha acabado de ver o melhor filme da Marvel até então. O estilo frenético da ação (que parece ter inspiração na série Bourne), com tiroteios, coreografias de lutas empolgantes e belas perseguições de carros caiu muito bem para o personagem, que se encontra numa história bem superior e que dá ganchos para o segundo filme dos Vingadores e para a óbvia terceira parte do Capitão América.

E nessa história, também se encontra o melhor vilão desse universo Marvel no cinema até agora. O Soldado Invernal do título, estabelece logo no começo que será, além de um páreo duríssimo, perigoso e ameaçador da paz. Mais do que isso, há uma subtrama forte - e muito boa - que influenciará muita coisa para os personagens desse universo daqui para frente. Há, inclusive, uma ponta de um personagem que apareceu lá atras, no péssimo "Homem de Ferro 2", que participa dessa subtrama e que explica muita coisa do que já aconteceu.

De negativo, apenas muita previsibilidade da trama e o 3D inútil, que deve estar ali só para aumentar a arrecadação de bilheteria

No geral, um belo upgrade do primeiro para o segundo filme. Uma evolução que aumenta o poder de fogo do Capitão com o público e que prepara o terreno para novas empreitadas do personagem. E é claro, para Os Vingadores.



sexta-feira, 4 de abril de 2014

Fora do tom

Um suspense com desperdícios.

Toque de Mestre
(Grand Piano; Espanha, 2013)
Dir.: Eugenio Mira
Com Elijah Wood, John Cusack, Kelly Bishé
1h32min - Suspense





A fórmula pode até ser batida, mas quando a história é boa, o filme fica mais apreciável. Protagonista e antagonista duelam quase que exclusivamente em cena. Foco no protagonista, porque o vilão, quando não visto, tem sua ameaça ampliada.

Toque de Mestre, é assim. 

Elijah Wood interpreta Tom Selznick, um pianista promissor, que cometeu um erro vergonhoso em sua última apresentação há cerca de cinco anos atrás. Com o falecimento do seu mentor, ele é chamado para uma apresentação "im memoriam", no piano onde compunha suas peças. Teatro lotado e a pressão psicológica de não cometer uma nova gafe. Durante a apresentação, Tom se depara com uma ameaça na partitura, que entrega que ele está sob a mira de um perigoso atirador.

Silêncio aí, por favor?
O filme não enrola muito para dizer a que veio. E nem precisava. O diretor economiza o tempo do espectador apresentando de forma sucinta o protagonista e suas razões. 

A construção do suspense é o ponto forte do filme. Utilizar a música do concerto para criar uma atmosfera sombria foi uma boa sacada e ajuda a envolver a plateia na situação mental do personagem de Elijah Wood - que apesar de mal escalado, faz o possível em prol do filme. 

Da metade para o final, a coisa descamba um pouco. O roteirista toma algumas liberdades absurdas para tentar encaixar algumas explicações e encaminhar algumas deixas. Isso inclui, um celular (me recuso a ir adiante com esse spoiler), personagens completamente descartáveis para a trama e frequentes saídas do pianista do palco durante a apresentação.

Além disso, a composição do vilão foi muito infeliz: As razões pelas quais submete o protagonista a tamanha pressão é mal justificada e tudo parece descambar para o absurdo. Que o diga os 10 minutos finais do filme. Uma saída sem graça e que destoa de todo o exercício de suspense a que fomos submetidos até então.